Adolescentes de Roraima preparam-se para primeira votação em 2026 com projeto de educação política
Jovens de RR preparam primeira votação em 2026 com educação política

Jovens eleitores de Roraima antecipam experiência democrática para as urnas de 2026

Enquanto aguardam com expectativa o primeiro domingo de outubro de 2026, adolescentes de Roraima que terão seu primeiro contato com as urnas eletrônicas já começam a vivenciar os preparativos para esse momento decisivo. No estado, existem atualmente 7.140 eleitores com 16 e 17 anos aptos a participar do pleito que escolherá governador, vice-governador, senador, deputados federais e estaduais, dentro de um total de 387.802 eleitores registrados.

Experiência escolar como preparação para a cidadania plena

Durante a vida acadêmica, muitos estudantes já têm contato inicial com processos democráticos através das eleições para grêmio estudantil, entidade formada por alunos para defender seus interesses coletivos. Essa vivência funciona como uma valiosa preparação para uma responsabilidade maior que surge aos 16 anos: o direito ao voto, mesmo que facultativo para essa faixa etária.

A estudante Eloá Barros, de 16 anos, integra a chamada geração alfa, composta por adolescentes nascidos a partir de 2010, e demonstra ansiedade positiva em relação ao seu primeiro exercício eleitoral. "Estar tendo esse contato com as eleições, de ter essa responsabilidade de escolher uma pessoa que vai representar a gente no âmbito eleitoral, traz, com certeza, um nervosismo", afirmou a jovem, que vê no voto uma forma significativa de expressão social.

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"Fico bastante feliz, porque agora posso contribuir de uma forma mais responsável e expressar minha opinião publicamente [por meio do voto]", resumiu Eloá, destacando o significado pessoal desse marco cidadão.

Projeto educacional prepara eleitores para os desafios digitais

O poder do voto constitui o ponto de partida do projeto Amazônia Que Eu Quero 2026, iniciativa da Fundação Rede Amazônica que neste ano aborda o tema "Democracia na era digital: o uso das novas tecnologias no processo eleitoral". Criado em 2019 e chegando à sua quinta edição, o projeto promove educação política e socioambiental, incentivando a participação popular e o diálogo com diferentes setores da sociedade.

Segundo Mariane Cavalcante, diretora executiva da fundação, "O projeto tem um objetivo muito simples: trazer informação para a população para que ela tenha capacidade crítica para eleger seus gestores públicos". Em 2026, a iniciativa busca especialmente estimular o senso crítico dos eleitores e ampliar o acesso à informação qualificada.

Alerta sobre desinformação e inteligência artificial

Atenta ao impacto das redes sociais no debate público, a estudante Catharina Uchôa, também de 16 anos, destacou a necessidade de os jovens eleitores estarem vigilantes quanto à circulação de conteúdos enganosos durante o período eleitoral. "Principalmente neste ano, com o avanço da inteligência artificial. Também já vi muitos vídeos de pessoas fingindo ser políticos ou de políticos que contribuem para as fake news", alertou a adolescente.

Catharina chamou atenção para os riscos de manipulação que afetam especialmente pessoas com menor familiaridade com o ambiente digital, incluindo idosos e os próprios jovens. "[Há tentativas de] atribuir a eles características positivas ou tentar enganar pessoas com menor entendimento da internet", observou a estudante, enfatizando a importância do consumo crítico de informação.

Cidadania que começa antes do dia da votação

Como propõe o projeto Amazônia Que Eu Quero, o exercício da cidadania inicia-se muito antes do dia da votação, passando necessariamente pelo acesso à informação confiável, pelo uso consciente das tecnologias digitais e pela compreensão de que o poder do voto permanece nas mãos de cada eleitor. A Justiça Eleitoral mantém a expectativa de que o número de eleitores aumente ao longo da campanha de regularização, período em que adolescentes e jovens podem emitir seu título eleitoral.

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Hiperconectados e habituados a se informar e posicionar através das telas, os adolescentes da geração alfa enxergam no voto não apenas um direito, mas uma ferramenta poderosa de participação social. O debate promovido pelo projeto acontece em um momento histórico em que celulares, redes sociais e inteligência artificial tornaram-se parte integrante da rotina da população, exigindo novas habilidades de análise e discernimento.

Além do foco eleitoral, o Amazônia Que Eu Quero realiza levantamento de propostas junto a gestores públicos, com atenção especial ao desenvolvimento sustentável da região amazônica, reforçando o compromisso com uma cidadania ativa e informada que transcende os ciclos eleitorais.