Vendedor ambulante é retirado à força em frente a supermercado de Palmas
Vendedor ambulante retirado à força em supermercado de Palmas (28.01.2026)

Vendedor ambulante relata constrangimento após ser retirado à força em supermercado de Palmas

O jovem Gabriel Chaves, de 19 anos, enfrentou uma situação de humilhação pública enquanto exercia seu trabalho como vendedor ambulante em frente a um supermercado no setor Aureny III, em Palmas, Tocantins. Casado e pai de uma bebê de nove meses, Gabriel complementa a renda familiar vendendo pães nas horas vagas, além de trabalhar como garçom em um restaurante.

O episódio constrangedor

De acordo com o relato do jovem, o proprietário do estabelecimento comercial o retirou à força do local, jogando no chão as cadeiras e a cestinha que utilizava para expor seus produtos. As imagens que circularam nas redes sociais mostram o momento em que o comerciante recolhe e arremessa os objetos de trabalho do ambulante, gerando forte repercussão e indignação entre os internautas.

Gabriel destacou que a caixa contendo os pães não foi jogada porque um funcionário do mercado a segurou, evitando maiores prejuízos. "Bastante gente ao redor passando. Muita gente vendo aquela situação, então, eu senti um constrangimento horrível", desabafou o jovem, que atuava no local há um ano e quatro meses e era conhecido pelo proprietário e frequentadores.

Contexto e justificativas

O vendedor explicou que, pouco antes do ocorrido, estava chovendo, o que o levou a se aproximar mais da entrada do supermercado para se abrigar temporariamente. Ele afirmou que o dono já havia solicitado, por meio de funcionários, que ele se retirasse do local anteriormente.

Em nota oficial, o Duda Super esclareceu que não houve intenção de humilhar ou desrespeitar o ambulante, alegando que a ação visava apenas a organização do espaço em frente ao estabelecimento, que é área de circulação e deve seguir normas de segurança. O mercado reafirmou seu compromisso com a comunidade e repudiou versões que indiquem agressão ou desumanidade.

Repercussão e aspectos legais

O caso, ocorrido no dia 21 de janeiro, ganhou notoriedade após a divulgação do vídeo nas redes sociais, onde Gabriel recebeu diversas mensagens de apoio. Ele agradeceu o carinho demonstrado e afirmou confiar que a justiça e a verdade irão prevalecer, destacando que estava apenas exercendo seu trabalho de forma honesta.

A advogada Andrêssa Preto, que acompanha juridicamente o caso, emitiu uma nota afirmando que Gabriel sofreu constrangimento e tratamento humilhante durante o exercício de sua função, e que o caso deve ser apurado pelas autoridades. Ela ressaltou que o jovem é um trabalhador conhecido na comunidade, pai de família, que teve sua dignidade injustamente atingida.

A Prefeitura de Palmas, por sua vez, esclareceu que o comércio ambulante em espaços públicos é permitido, desde que o vendedor possua licença provisória emitida pela administração municipal, conforme a Lei Complementar nº 424/2023. A licença autoriza o uso do espaço público e define condições como local de atuação e cuidados com a circulação de pedestres.

Desdobramentos e reflexões

Gabriel informou que não acionou a polícia no momento do ocorrido, mas está sendo assessorado legalmente para analisar os fatos. O episódio levantou debates sobre os direitos dos trabalhadores informais, a convivência no espaço urbano e o respeito à dignidade humana no exercício profissional.

O caso evidencia a realidade de muitos brasileiros que dependem do trabalho ambulante para complementar a renda familiar, enfrentando desafios diários que vão além da busca por sustento, incluindo situações de constrangimento e desrespeito em pleno exercício de suas atividades.