Acre registra apenas um caso de trabalho infantil em 2025, mas cenário nacional ainda preocupa
O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) divulgou nesta segunda-feira (9) dados alarmantes sobre o trabalho infantil no Brasil. Embora o Acre tenha registrado apenas um caso de afastamento por trabalho infantil em 2025, posicionando-se como o estado com o menor índice do país, a realidade nacional ainda é preocupante. Mais de 1,6 milhão de crianças e adolescentes continuam submetidos a situações de exploração laboral em todo o território brasileiro.
Panorama regional na região Norte
Na região Norte, os números apresentam variações significativas entre os estados. Enquanto o Acre lidera com o menor registro (apenas um caso), seguido pelo Amapá com sete casos e Tocantins com 22, outros estados da mesma região enfrentam situações mais graves. Roraima aparece com 116 casos de afastamento por trabalho infantil, o Pará registra 84 ocorrências e Rondônia contabiliza 77 casos.
Esses dados revelam uma disparidade regional preocupante, onde alguns estados conseguem avanços significativos no combate à exploração infantil, enquanto outros ainda enfrentam desafios estruturais para proteger suas crianças e adolescentes.
Cenário nacional: avanços e desafios persistentes
Em nível nacional, o ano de 2025 apresentou o melhor resultado no combate ao trabalho infantil desde 2017, com aproximadamente 4,3 mil crianças e adolescentes afastados dessas situações. No entanto, o Ministério do Trabalho alerta que 80% desses jovens eram submetidos às piores formas de exploração, incluindo atividades que oferecem graves riscos à saúde, segurança, desenvolvimento e integridade moral.
Minas Gerais lidera o ranking nacional com o maior número de resgates registrados, totalizando 830 crianças e adolescentes afastados do trabalho infantil. São Paulo ocupa a segunda posição com 629 ocorrências, seguido por Mato Grosso do Sul com 235 casos. Esses números destacam tanto os esforços de fiscalização quanto a persistência do problema em diferentes regiões do país.
Estratégias de combate e avanços institucionais
O MTE tem desenvolvido uma atuação integrada baseada em quatro eixos estratégicos fundamentais:
- Atuação orientada por dados e evidências concretas
- Combate sustentável às diversas formas de trabalho infantil com novas metodologias
- Fortalecimento das capacidades técnicas dos auditores-fiscais do Trabalho
- Aprimoramento da gestão da Inspeção do Trabalho
Entre os avanços mais significativos, destaca-se a consolidação do Grupo Especial Móvel de Combate ao Trabalho Infantil (GMTI). Em 2025, pela primeira vez, o grupo passou a contar com uma equipe fixa de fiscalização que atua de forma integrada com outras políticas públicas de proteção à criança e ao adolescente em todo o território nacional.
Esta equipe especializada tem como foco principal as regiões e setores econômicos com maior incidência de violações de direitos, realizando o afastamento imediato de situações de trabalho infantil e encaminhando as vítimas à rede de proteção social. O objetivo é garantir o acesso a direitos fundamentais e serviços públicos essenciais para essas crianças e adolescentes.
Contexto histórico e desafios futuros
Vale ressaltar que, apesar do baixo registro atual no Acre, estudos anteriores indicavam que o estado tinha a maior taxa de trabalho infantil do país, com 10,6% das crianças envolvidas em atividades laborais. Em 2023, oito crianças e adolescentes foram resgatados de situações de trabalho infantil no estado, demonstrando que o problema persiste mesmo com os avanços recentes.
Especialistas apontam que a miséria continua sendo um fator determinante para a persistência do trabalho infantil em diversas regiões do Brasil. A atuação integrada entre diferentes órgãos governamentais e a sociedade civil se mostra essencial para enfrentar esse desafio complexo que afeta o desenvolvimento saudável de milhões de crianças brasileiras.
Os dados divulgados pelo Ministério do Trabalho reforçam a necessidade de políticas públicas contínuas e efetivas para erradicar completamente o trabalho infantil no Brasil, garantindo que todas as crianças tenham acesso à educação, proteção e oportunidades adequadas ao seu desenvolvimento.



