Hospitais filantrópicos de BH em colapso por falta de repasses da prefeitura
Colapso em hospitais filantrópicos de BH por falta de repasses

Hospitais filantrópicos de Belo Horizonte alertam para colapso assistencial

Instituições de saúde que atendem exclusivamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) na capital mineira estão enfrentando uma grave crise financeira devido a atrasos nos repasses da prefeitura. A situação, descrita como "colapso assistencial" por representantes das unidades, afeta diretamente a capacidade de oferecer atendimento adequado à população.

Unidades afetadas e o impacto na saúde pública

Entre os hospitais que sofrem com a falta de recursos estão a Santa Casa, o Hospital Sofia Feldman, o Hospital São Francisco, o Hospital da Baleia, o Hospital Mário Penna e o Hospital Universitário Ciências Médicas. Essas instituições são fundamentais para a rede de saúde pública em Belo Horizonte, atendendo milhares de pacientes que dependem integralmente do SUS.

Os problemas financeiros começaram a ser expostos publicamente desde dezembro de 2025, quando as unidades alegaram que a inadimplência do Executivo municipal já alcançava a marca de R$ 50 milhões. No início deste ano, esse valor foi atualizado para aproximadamente R$ 100 milhões, demonstrando uma piora significativa na situação.

Consequências diretas para o atendimento

De acordo com a Federação das Santas Casas e Hospitais Filantrópicos de Minas Gerais (Federassantas), as instituições estão enfrentando sérias dificuldades operacionais. Entre os principais problemas relatados estão:

  • Falta de previsibilidade financeira para planejar as atividades
  • Interrupção no fornecimento de insumos médicos essenciais
  • Endividamento emergencial para manter as operações
  • Necessidade de limitar novas internações para garantir segurança aos pacientes

"Os hospitais já ultrapassaram seu limite operacional. Há dificuldades para cumprir a folha salarial. Além disso, fornecedores e prestadores de serviços também estão financeiramente estrangulados, o que compromete os estoques de medicamentos e insumos essenciais", informou a Federassantas em comunicado oficial.

Promessas não cumpridas e dívida crescente

Os dirigentes dos hospitais relataram que, em 7 de janeiro, durante uma reunião com representantes da prefeitura, houve um compromisso formal de regularizar os repasses e estabelecer um cronograma de pagamentos. No entanto, essa promessa não foi cumprida, segundo as instituições de saúde.

A advogada Kátia Rocha, presidente da Federassantas, alertou para o agravamento da situação: "Estamos com R$ 96 milhões em aberto dessas sete instituições e chegaremos, até sexta-feira, se não houver mais pagamentos, ao valor total de aproximadamente R$ 148 milhões, ou seja, pior do que nós terminamos 2025".

Posicionamento da prefeitura e controvérsias

Em nota oficial, a Prefeitura de Belo Horizonte afirmou que está honrando os compromissos estabelecidos com os hospitais. O Executivo municipal destacou que, somente em janeiro, foram repassados R$ 177.146.934,75 às instituições filantrópicas, com promessas de continuidade dos pagamentos ao longo de fevereiro.

No entanto, a Federassantas contesta essa versão, argumentando que o montante repassado representa apenas metade do valor devido no período. A entidade também questiona a prática de "pedaladas financeiras", onde recursos enviados pelo Ministério da Saúde estariam sendo utilizados para quitar dívidas antigas, empurrando obrigações dos meses seguintes.

Histórico do problema e perspectivas futuras

A crise financeira nos hospitais filantrópicos de Belo Horizonte não é recente. Desde dezembro de 2025, as instituições vêm alertando sobre os atrasos nos repasses, que inicialmente totalizavam R$ 50 milhões e poderiam alcançar R$ 70 milhões até o fim daquele mês.

Em janeiro deste ano, houve um novo compromisso da prefeitura em quitar as dívidas até fevereiro e regularizar o fluxo de pagamentos a partir de março. Porém, com a dívida atual aproximando-se dos R$ 150 milhões, a confiança das instituições na solução do problema está abalada.

A falta de recursos está forçando os hospitais a reduzirem sua capacidade de atendimento, o que impacta diretamente milhares de pacientes que dependem do SUS em Belo Horizonte. A situação exige uma solução urgente para evitar o colapso completo do sistema de saúde filantrópico na capital mineira.