Diretor-geral da Polícia Federal reafirma autonomia institucional em meio a tensões com o Supremo Tribunal Federal
Em um momento marcado por desgastes na relação entre a Polícia Federal e o Supremo Tribunal Federal, o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, fez uma declaração enfática sobre a independência da corporação. Durante pronunciamento nesta segunda-feira, Rodrigues destacou que a PF atua como uma instituição de Estado, combatendo o crime organizado sem qualquer tipo de viés político.
Autonomia garantida e trabalho isento
Andrei Rodrigues foi categórico ao afirmar que a autonomia da Polícia Federal tem sido preservada desde o início de sua gestão, com o apoio do governo federal e dos ministros. "A Polícia Federal é uma instituição de Estado e ela tem autonomia. E essa autonomia tem sido garantida desde o primeiro dia da nossa gestão pelo governo federal, pelos ministros, para que nós façamos o nosso trabalho de polícia judiciária da União, também de polícia administrativa da União, com isenção e independência como polícia de Estado que somos", declarou o diretor-geral.
Essa afirmação surge em um contexto de crescente tensão entre a PF e o ministro Dias Toffoli, do STF. Nos últimos meses, o magistrado tem demonstrado desconfiança em relação à atuação da polícia nas investigações do esquema do Banco Master, um caso que envolve suspeitas de fraudes e irregularidades financeiras.
Rota de colisão entre PF e STF no caso Banco Master
A relação entre as duas instituições vem se deteriorando, especialmente após decisões recentes de Toffoli que impactaram diretamente o trabalho dos investigadores. O ministro determinou que materiais apreendidos pela PF fossem analisados pela Procuradoria-Geral da República, designando quatro peritos da própria polícia para acompanhar o procedimento.
Essa medida gerou reações imediatas de entidades ligadas aos investigadores, que manifestaram "preocupação" e alertaram a sociedade sobre um possível risco de "perda de provas". O temor é que a transferência de responsabilidade possa comprometer a integridade das evidências coletadas.
Novo capítulo de desgaste institucional
Entre hoje e amanhã, a Suprema Corte retomará os depoimentos de investigados no caso Banco Master. No entanto, Toffoli estabeleceu que os testemunhos sejam colhidos em apenas dois dias, reduzindo significativamente o prazo originalmente solicitado pela Polícia Federal.
Essa iniciativa representa mais um ponto de atrito na já fragilizada relação entre o magistrado e a corporação. A decisão é vista como um limitador da capacidade operacional da PF, que precisa de tempo adequado para conduzir interrogatórios minuciosos e garantir a qualidade das investigações.
O caso Banco Master continua a ser um dos principais focos de atenção no cenário jurídico e policial brasileiro, com desdobramentos que podem influenciar a dinâmica entre os poderes e a atuação das instituições de segurança pública.