Moraes nega plano de trabalho de Garnier na Marinha após condenação por golpe
Moraes nega trabalho de Garnier na Marinha após condenação

Moraes nega pedido da defesa de Garnier para trabalhar na Marinha

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, negou nesta sexta-feira, 23 de maio, um plano de trabalho elaborado para o ex-comandante da Marinha, Almir Garnier, desempenhar atividades administrativas na instituição militar. A decisão ocorre após a condenação do almirante a 24 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado, em setembro de 2025, pela Primeira Turma do STF.

Contexto da condenação e solicitação

Em novembro, o militar da reserva começou a cumprir a pena na Estação de Rádio da Marinha no Distrito Federal. Nas últimas semanas, Garnier solicitou ao STF autorização para trabalhar como forma de reduzir a pena à qual foi condenado. O Comando de Operações Navais em Brasília elaborou um plano de trabalho detalhado para o militar da reserva, que previa diversas atividades técnicas e estratégicas.

Detalhes do plano de trabalho rejeitado

O plano incluía uma série de tarefas complexas e sensíveis, tais como:

  • Avaliação dos sistemas de apoio à decisão que compõem o Sistema de Gerenciamento da Amazônia Azul.
  • Estudo de tecnologias emergentes e sua aplicabilidade ao sistema.
  • Emprego de sistemas de simulação para o desenvolvimento de ferramentas analíticas para dimensionar as capacidades de defesa do Brasil.
  • Análise de processos e documentos técnicos relacionados à Avaliação Operacional das Fragatas Classe Tamandaré.
  • Análise crítica da viabilidade técnica do emprego operacional do Sistema de Previsão do Ambiente Acústico para o Planejamento das Operações Navais.
  • Análise das técnicas de Avaliação Operacional empregadas pela Marinha na avaliação de sensores e armas, e sua adequação aos equipamentos de última geração.
  • Análise das técnicas de Avaliação Operacional empregadas pela Marinha e sua adequação à avaliação de veículos não tripulados, terrestres, submarinos, de superfície e aéreos.

Fundamentação da decisão de Moraes

Ao julgar o plano de trabalho, o ministro Alexandre de Moraes classificou a solicitação para participação de Garnier nessas atividades como "desarrazoável" e "inadequada". Em sua decisão, Moraes afirmou: "Juridicamente impossível, desarrazoável e inadequada a participação do réu em atividades diretamente relacionadas com o aperfeiçoamento das Forças Armadas, as quais desempenham papel essencial na defesa da Constituição, da soberania nacional e da estabilidade do Estado Democrático de Direito".

O ministro do STF declarou que as condutas de Almir Garnier na trama golpista foram "absolutamente incompatíveis" com o estado de direito e com a democracia. Por essa razão, Moraes considerou inadequada a participação do ex-comandante da Marinha em atividades relacionadas ao aperfeiçoamento das Forças Armadas, que desempenham "papel essencial na defesa da Constituição, da soberania e da estabilidade" democrática.

Esta decisão reforça a posição do STF em manter a integridade das instituições democráticas, impedindo que indivíduos condenados por crimes graves contra o Estado participem de funções estratégicas nas Forças Armadas. O caso destaca a importância da separação entre a justiça penal e as atividades militares, especialmente em contextos pós-tentativas de golpe.