O procurador-geral da República, Paulo Gonet, assumiu um papel central e discreto nas investigações do suposto esquema de fraudes envolvendo o Banco Master. A decisão partiu do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, que designou a Procuradoria-Geral da República (PGR) como responsável pela custódia das provas apreendidas na operação.
O "bom guardião de segredos" e a decisão de Toffoli
A escolha da PGR para esse papel sensível não foi aleatória. De acordo com informações de um interlocutor do STF obtidas pelo Radar, a reputação de Paulo Gonet como um "bom guardião de segredos" foi determinante para a decisão do magistrado. Toffoli reconheceu no chefe do Ministério Público Federal um perfil de discrição e confiabilidade, essencial para um caso de grande repercussão.
Essa característica rendeu a Gonet, no âmbito das apurações sobre o escândalo ligado ao empresário Daniel Vorcaro, o apelido interno de "oráculo". O procurador-geral, conhecido por sua postura reservada, demonstrou bom humor ao se referir à alcunha. "Esse oráculo não fala — mas atua, mesmo em silêncio", declarou Paulo Gonet à reportagem.
As acusações e o papel da Polícia Federal
As investigações seguem com base nas alegações finais apresentadas pela PGR. No documento, o procurador-geral Paulo Gonet afirmou que "o grupo desenvolveu e implementou plano progressivo e sistemático de ataque às instituições democráticas, com a finalidade de prejudicar a alternância de poder". A declaração, feita no dia 17 de janeiro de 2026, sublinha a gravidade das acusações.
Embora a guarda do material probatório seja de responsabilidade da PGR, a Polícia Federal não ficou de fora do processo. Por determinação do ministro Dias Toffoli, a PF também terá acesso para analisar as provas apreendidas com os envolvidos nas fraudes do Master. A medida busca aliar a discrição na custódia à expertise investigativa da polícia.
Silêncio estratégico e os próximos passos
A postura de Paulo Gonet reflete uma estratégia de atuação focada em resultados concretos, em detrimento de exposição midiática. A fama de "oráculo" consolida-se justamente pela capacidade de agir sem alarde, um atributo valorizado em investigações complexas que envolvem o sistema financeiro e suspeitas de ataques à ordem democrática.
Com a custódia das provas assegurada na PGR e a análise técnica em curso pela Polícia Federal, o caso do Banco Master segue seu trâmite sob um manto de discrição operacional. A atuação silenciosa do procurador-geral, longe dos holofotes, será crucial para determinar o desfecho das apurações que abalaram as instituições.