Moraes questiona qualificação de irmão de Michelle para ser cuidador de Bolsonaro
Moraes questiona qualificação de irmão de Michelle para cuidar de Bolsonaro

Moraes questiona qualificação de irmão de Michelle para ser cuidador de Bolsonaro

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta segunda-feira, 6 de abril de 2026, que a defesa de Jair Bolsonaro explique qual é a qualificação profissional de Eduardo Torres, irmão de criação de Michelle Bolsonaro, para trabalhar como cuidador do ex-presidente na prisão domiciliar.

Anteriormente, durante o regime fechado, Torres ficava responsável pela entrega das marmitas da alimentação de Bolsonaro. Agora, os advogados solicitaram que ele — que é pré-candidato a deputado distrital no Distrito Federal — seja autorizado a entrar na residência para exercer a função de cuidador.

Exigência do ministro

Em trecho da decisão, Moraes destacou: “A defesa, entretanto, apresentou o nome de Carlos Eduardo Antunes Torres, sem qualquer indicação de sua qualificação como enfermeiro ou técnico de enfermagem, descrevendo-o como irmão de criação da esposa do réu (filho de sua madrasta) e ‘pessoa de confiança da família e que já exerceu a atividade de acompanhante do Peticionário em outros momentos’”.

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O ministro ordenou ainda: “Determino que a defesa do custodiado apresente as qualificações profissionais de Carlos Eduardo Antunes Torres, em cumprimento à decisão de 24/3/2026”.

Restrições da prisão domiciliar

Quando Moraes autorizou a transferência de Bolsonaro para a prisão domiciliar, estabeleceu uma série de restrições rigorosas, proibindo todas as visitas — estão liberados apenas médicos, advogados e a família mais próxima, como os filhos. Como Torres é irmão de criação de Michelle, ele não se enquadraria nessa categoria e, portanto, não poderia ir à casa de Bolsonaro sem uma autorização específica.

O ex-presidente vinha recebendo várias visitas de correligionários e ajudando na formação dos palanques do Partido Liberal (PL) em todo o país. Moraes também o proibiu de ter celular, redes sociais, e determinou que sua residência seja monitorada 24 horas por dia pela Polícia Federal.

Pré-candidatura e prioridades

Em outubro, Torres sairá candidato a deputado distrital pelo PL, cargo ao qual já concorreu em 2022, quando ficou como suplente. Em declarações à imprensa, ele afirmou que, caso Moraes o libere para cuidar de Bolsonaro, a prioridade será o ex-presidente: “A gente mantém primeiro atenção a ele, e depois a agenda”, disse.

A ideia é alternar os cuidados com Michelle Bolsonaro. Torres também comentou sobre as eleições deste ano, afirmando que “manteremos os mesmos valores”, com foco na pauta da liberdade, e que irá para as urnas com “mais trabalho, mais tempo pela rua, tendo conversado e conhecido mais pessoas” do que em 2022. Há quatro anos, ele recebeu 16.990 votos para o cargo.

O caso continua sob análise do STF, com a defesa de Bolsonaro tendo que apresentar as qualificações profissionais de Eduardo Torres para justificar o pedido de atuação como cuidador, em meio às restrições impostas pela prisão domiciliar.

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