Lewandowski: crimes contra Estado são imprescritíveis e sem anistia
Ministro diz que crimes contra democracia são imprescritíveis

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, fez uma declaração contundente sobre a natureza jurídica dos ataques às instituições democráticas. Em evento realizado nesta quinta-feira, 8 de janeiro de 2026, no Palácio do Planalto, ele afirmou que crimes cometidos contra o Estado Democrático de Direito são imprescritíveis e impassíveis de indulto, graça ou anistia.

Vigilância eterna: o legado dos ataques de 8 de janeiro

A solenidade marcou os três anos dos ataques perpetrados por manifestantes apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro às sedes dos Três Poderes, em Brasília. Lewandowski utilizou a ocasião para um alerta sobre a necessidade de constante vigilância. "Embora entre nós, as próprias instituições republicanas tenham, a muito custo, conseguido debelar a intentona, é preciso ter sempre em mente a célebre advertência de Thomas Jefferson: O preço da liberdade é a eterna vigilância", declarou o ministro.

Ele enfatizou que a cerimônia, repetida anualmente, tem o propósito de recordar a todos a importância da união e da vigilância na defesa da liberdade, "a duras penas resgatada". A afirmação ganha peso especial quando se considera que os atos, segundo Lewandowski, envolveram grupos civis e militares armados.

Alckmin defende punição rigorosa e destaca força das instituições

Também presente ao ato, o vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Geraldo Alckmin, foi enfático ao defender punições severas. "Se, perdendo as eleições, tentaram um golpe de Estado, imagine o que não teriam feito se tivessem vencido as eleições", questionou.

Alckmin citou o ex-governador de São Paulo, Mário Covas, para traçar uma linha divisória na política: "Homens e mulheres públicos podem ser um pouco mais à direita, um pouco mais à esquerda... O que diferencia é quem tem apreço pela democracia e quem não o tem".

O vice-presidente usou o momento para exaltar a reação das instituições brasileiras ao episódio de 2026. "Três anos depois do fatídico 8 de janeiro, esse encontro mostra a pujança das instituições brasileiras. Os Três Poderes reagiram de maneira uníssona", afirmou. Ele completou dizendo que boas instituições fazem a diferença, pois "as pessoas passam. As instituições ficam".

O recado claro para o futuro democrático

O evento no Planalto transmitiu uma mensagem unificada do alto escalão do governo. As falas convergiram em pontos essenciais:

  • Irrenunciabilidade da Justiça: Crimes contra a democracia não podem ser apagados pelo tempo ou perdoados por instrumentos legais como anistia.
  • Memória como ferramenta: A data de 8 de janeiro deve ser lembrada não como ferida, mas como alerta permanente.
  • Força na união: A resposta coordenada dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário é apontada como a chave para a superação da crise.

A cerimônia reforça que, para a atual gestão, a defesa da democracia é um princípio inegociável e que a responsabilização pelos atos golpistas segue sendo uma prioridade de Estado, independentemente do tempo decorrido.