Wagner Moura critica ataque dos EUA à Venezuela e liga a 'O Agente Secreto'
Wagner Moura critica ataque dos EUA à Venezuela

O ator brasileiro Wagner Moura, de 49 anos, usou sua visibilidade internacional para fazer uma crítica contundente à recente intervenção militar dos Estados Unidos na Venezuela. A ação, ordenada pelo presidente Donald Trump, resultou na captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, no último sábado, dia 3 de janeiro de 2026.

Paralelos com a ficção e a história

Em declarações recentes, Moura traçou um paralelo direto entre o ataque e os temas explorados no filme ‘O Agente Secreto’, no qual é protagonista e pelo qual concorre ao prêmio de Melhor Ator em Drama no Globo de Ouro. A cerimônia de premiação está marcada para o próximo domingo, dia 11.

O ator foi enfático ao separar sua crítica da defesa do regime de Maduro. “Isso não tem nada a ver com apoiar Maduro ou seu regime — eu acho que ele é um ditador e a Venezuela merece alguém melhor do que Maduro”, afirmou. No entanto, sua condenação foi direcionada ao método utilizado pelos Estados Unidos.

Um precedente perigoso e lições do passado

Wagner Moura classificou a invasão como um ato inaceitável e um precedente alarmante. “Mas os Estados Unidos invadirem um país, bombardearem um país, matarem pessoas em um país e sequestrarem seu presidente? É um precedente muito, muito perigoso”, declarou.

Em sua análise, o ator fez uma conexão histórica poderosa, relembrando períodos sombrios da política externa americana na América Latina. “Nos faz lembrar dos velhos tempos do imperialismo americano, da Doutrina Monroe e da política do ‘big stick’”, comentou.

Ele ainda relacionou o evento atual ao contexto do filme dirigido por Kleber Mendonça Filho: “Tenho certeza de que você sabe que todas as ditaduras na América do Sul nas décadas de 60 e 70 — aquela da qual falamos em ‘O Agente Secreto’, por exemplo — foram apoiadas pela CIA nos Estados Unidos. Portanto, isso não pode ser aceito.”

Falta de reação internacional

Além de criticar a ação militar, Wagner Moura expressou preocupação com a aparente passividade da comunidade global diante do fato. “E não estou vendo uma reação forte da comunidade internacional”, lamentou o artista, destacando a gravidade do cenário que se desenha.

A posição do ator surge em um momento crucial de sua carreira, às vésperas de uma das maiores premiações do cinema internacional, mostrando seu engajamento político para além das telas.