Venezuelanos surpreendem com otimismo após intervenção americana e mudanças no petróleo
Venezuelanos otimistas após intervenção dos EUA e reforma petrolífera

Pouco mais de um mês após a operação militar dos Estados Unidos que resultou na captura de Nicolás Maduro e da primeira-dama Cilia Flores, hoje presos e aguardando julgamento por tráfico de drogas em Nova York, o cenário na Venezuela está em transformação. O Parlamento do país iniciou, na última quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026, o debate de um projeto de anistia que abrange quase três décadas de chavismo no poder, enquanto a indústria petrolífera se movimenta com novas leis.

Mudanças políticas e econômicas em curso

A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, sancionou a Lei de Hidrocarbonetos, revogando a nacionalização de 1976 e se afastando do modelo estatizante adotado por Hugo Chávez. Em declarações recentes, Rodríguez afirmou que "a Venezuela amadureceu com o impacto da agressão dos Estados Unidos", elogiando os canais de diálogo abertos entre os dois países. Washington planeja reabrir a embaixada americana na Venezuela, e o diretor da CIA, John Ratcliffe, foi recebido com cortesia em Caracas, indicando um possível reaproximação.

Opinião pública surpreendentemente favorável

Segundo uma pesquisa publicada pelo The Economist, a maioria dos venezuelanos demonstra uma visão otimista em relação à intervenção americana. Apenas 13% dos entrevistados se opuseram, ainda que levemente, à captura de Maduro. Surpreendentemente, mais da metade dos participantes afirmou que sua opinião sobre os Estados Unidos melhorou após a operação militar.

Os dados revelam que quase metade da população apoia alguma forma de governança americana no país, enquanto apenas 18% se opõem a essa ideia. As opiniões estão mais divididas quando se trata do controle da indústria petrolífera:

  • Pouco mais de um quarto dos entrevistados acredita que o governo americano deveria estar no comando.
  • Cerca de um terço escolheu o governo venezuelano para controlar o setor.
  • Quase 30% optaram por empresas privadas assumirem a liderança.

Reforma petrolífera atrai investimentos

Sob a nova Lei de Hidrocarbonetos, a estatal PDVSA continua a existir, mas empresas privadas poderão operar no setor de forma independente, não como acionistas minoritários. A legislação oferece porcentagens de royalties mais flexíveis e menos impostos, medidas projetadas para atrair cerca de 10 bilhões de dólares em investimentos das petroleiras americanas, que têm demonstrado reticência.

Essas mudanças refletem um interesse significativo do governo Trump no petróleo venezuelano, alinhando-se com a opinião pública que, por ora, parece surpreendentemente otimista em relação aos planos americanos para o país.