O governo da Venezuela iniciou uma forte onda de repressão interna logo após a captura do presidente Nicolás Maduro por forças especiais dos Estados Unidos. A operação militar rápida, ocorrida em 6 de janeiro de 2026, alterou drasticamente o cenário político do país e mergulhou a nação em uma profunda instabilidade institucional.
Na tentativa de consolidar o poder e sufocar qualquer apoio à ação norte-americana, o novo comando político decretou estado de emergência, restringindo liberdades civis. Milícias paramilitares, conhecidas como colectivos, foram mobilizadas para patrulhar bairros da capital, Caracas, e houve uma série de detenções, incluindo profissionais da imprensa.
Transição de poder e apoio militar
Com a remoção de Maduro, Delcy Rodríguez, ex-vice-presidente e figura central do chavismo, foi empossada como presidente interina. Considerada uma das aliadas mais próximas do líder deposto, Rodríguez recebeu imediatamente o apoio público das Forças Armadas Venezuelanas, um movimento considerado vital para a sobrevivência do regime no curto prazo.
O ministro da Defesa, general Vladimir Padrino López, declarou lealdade à nova presidente. Ele afirmou que os militares permanecerão "ao lado do governo diante das turbulências geopolíticas", reforçando o papel das Forças Armadas como fiadoras do poder político em um país onde a linha entre esfera civil e militar é cada vez mais tênue.
Cerco às ruas e à informação
Nas ruas de Caracas, a situação é de tensão extrema. Os colectivos, milícias alinhadas ao chavismo historicamente usadas para reprimir protestos, montaram bloqueios e passaram a controlar áreas estratégicas, especialmente em regiões tradicionalmente associadas à oposição.
Paralelamente, o cerco à liberdade de imprensa se intensificou. Entidades de defesa da imprensa relataram a detenção temporária de pelo menos 14 jornalistas e trabalhadores de mídia, a maioria de veículos estrangeiros. As abordagens ocorreram principalmente perto da Assembleia Nacional, durante a cerimônia de posse de Rodríguez. Repórteres tiveram equipamentos confiscados e foram impedidos de fazer registros ou transmissões ao vivo.
Um decreto publicado no Diário Oficial autoriza a prisão de qualquer pessoa acusada de "promover, justificar ou apoiar" a ação dos Estados Unidos em território venezuelano. O texto também permite:
- Restrições à circulação de pessoas.
- Apreensão de bens.
- Suspensão do direito de reunião.
Juristas alertam que essas medidas extrapolam os limites previstos pela Constituição venezuelana.
Reações internacionais e alertas
A comunidade internacional reagiu com preocupação. O Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos emitiu um alerta sobre o risco de violações sistemáticas. Em nota, a ONU manifestou "profunda preocupação" com a escalada repressiva e questionou o respeito às garantias fundamentais sob o estado de emergência, pedindo que quaisquer responsabilizações ocorram por meio de processos legais justos e transparentes.
Organizações locais de direitos humanos relataram um aumento no número de abordagens arbitrárias, com agentes de segurança revistando celulares de cidadãos em busca de mensagens, fotos ou postagens que possam ser interpretadas como apoio à queda de Maduro.
Oposição vê continuidade autoritária
A líder opositora María Corina Machado classificou a repressão como "alarmante". Em entrevistas à imprensa internacional, ela argumentou que a transição política venezuelana corre o risco de se resumir a uma simples troca de nomes dentro do mesmo sistema autoritário. Machado descreveu Rodríguez como uma das principais articuladoras da repressão nos últimos anos e questionou sua legitimidade para liderar qualquer processo de abertura democrática.
Enquanto isso, Delcy Rodríguez recebeu cumprimentos imediatos de representantes diplomáticos da Rússia, China e Irã, países que sustentavam politicamente o governo Maduro e agora observam com cautela os desdobramentos da presença direta dos EUA no país.
Clima de medo e incerteza no futuro
Nos bairros do leste de Caracas, reduto tradicional da oposição, o clima é de silêncio e apreensão. As ruas permanecem vazias e o comércio funciona de forma irregular, refletindo o medo da população.
A captura de Maduro foi precedida por um confronto armado em uma base militar, segundo relatos de autoridades venezuelanas. Disparos também foram ouvidos perto do Palácio de Miraflores nos dias seguintes, embora o governo tenha minimizado os episódios, atribuindo-os a "incidentes com drones".
Analistas internacionais avaliam que a Venezuela vive um momento de transição altamente instável. A remoção de Nicolás Maduro não significou, até agora, uma ruptura real com o modelo autoritário instalado há mais de duas décadas. A permanência das estruturas repressivas, o protagonismo militar e a repressão imediata a qualquer dissenso indicam que o país pode estar entrando em uma nova fase de endurecimento político, agora sob outra liderança, mas com métodos amplamente conhecidos pela população.