O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fez um alerta direto aos parlamentares de seu partido: uma derrota republicana nas eleições legislativas de 2026 pode abrir caminho para um novo processo de impeachment contra ele. A declaração foi feita em um encontro fechado com membros da Câmara dos Representantes, em Washington, nesta terça-feira, 6 de janeiro de 2026.
Alerta na Casa Branca: unidade para evitar a destituição
Durante o discurso, Trump foi enfático ao cobrar maior coesão do Partido Republicano em torno de sua agenda política. “Temos que ganhar as eleições de meio de mandato porque, se não ganharmos, eles vão encontrar um motivo para me destituir”, afirmou o presidente, segundo relatos do encontro. Ele complementou: “Eu vou sofrer um processo de impeachment”.
O pleito de novembro de 2026 colocará em disputa todas as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes e um terço dos assentos do Senado. Historicamente, o partido que ocupa a Casa Branca tende a perder força no Congresso nessas eleições intermediárias, um padrão que Trump reconheceu. “Dizem que quando você ganha a presidência, você perde as eleições de meio de mandato”, comentou.
Pressão por agenda e sinais de atrito
Além do alerta sobre o impeachment, o presidente pressionou os aliados a atuarem em temas centrais de seu governo. A lista de prioridades apresentada inclui:
- Políticas de gênero.
- Reformas no sistema de saúde.
- Mudanças nas leis eleitorais.
Apesar da tradicional lealdade dos republicanos da Câmara, que frequentemente cedem ao Executivo em questões orçamentárias, começam a surgir fissuras. Um exemplo concreto deve ocorrer ainda nesta semana: a Casa pode votar a derrubada de um veto presidencial que bloqueou projetos de infraestrutura hídrica nos estados do Colorado e de Utah.
Para que o veto seja derrubado, será necessária uma maioria qualificada de dois terços dos votos, um movimento que demonstraria uma rara rebelião dentro do próprio partido.
Histórico de impeachment e os riscos futuros
Donald Trump já enfrentou dois processos de impeachment durante seu primeiro mandato, entre 2017 e 2021. Em ambas as ocasiões, a Câmara dos Representantes, então controlada pelos democratas, aprovou as acusações.
O primeiro caso, em 2019, envolveu acusações de abuso de poder e obstrução do Congresso relacionadas à pressão sobre a Ucrânia para investigar adversários políticos. O segundo impeachment foi aprovado em 2021, após a invasão do Capitólio em 6 de janeiro, com a acusação de incitação à insurreição.
Em ambas as vezes, o Senado, dominado pelos republicanos, absolveu o presidente, impedindo sua destituição. Agora, Trump argumenta que um Congresso controlado pela oposição após 2026 não hesitaria em iniciar um terceiro processo, com um possível desfecho diferente.
O discurso do presidente, portanto, mistura um apelo por unidade partidária com uma advertência clara sobre as consequências políticas de uma derrota nas urnas, definindo os próximos dois anos como cruciais para o futuro de sua presidência.