O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que o país pretende iniciar uma nova fase no combate ao narcotráfico, com operações militares terrestres diretas contra cartéis de droga no continente americano. Em declarações à Fox News, ele citou especificamente o México como um dos principais focos dessa ação, embora não tenha detalhado os locais exatos das possíveis incursões.
Ampliação da Estratégia Militar
Trump afirmou que os cartéis “controlam o México” e que os Estados Unidos precisam adotar uma postura mais contundente, indo além dos bombardeios a embarcações suspeitas realizados nos mares do Caribe e do Pacífico. A justificativa para essas operações marítimas anteriores tem sido o combate ao tráfico de drogas, mas Washington ainda não divulgou provas públicas de que os navios atingidos transportavam entorpecentes.
O anúncio representa uma escalada significativa na postura militar dos EUA na região. O presidente pressionou abertamente o governo mexicano, liderado por Claudia Sheinbaum, a “retomar o controle” do território frente à atuação dos grupos criminosos. Ele revelou ter pedido autorização formal à presidente mexicana para que forças estadunidenses atuem diretamente em solo mexicano, uma proposta que, conforme Trump, já foi rejeitada anteriormente pela governante.
Contexto e Reações Internacionais
Esta movimentação ocorre em um contexto de expansão do uso das forças armadas norte-americanas. A postura agressiva de Trump foi anunciada poucos dias após uma operação militar dos EUA na Venezuela, que resultou na captura do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa. Eles são acusados pela Justiça americana de crimes como narcoterrorismo e tráfico de cocaína.
A possibilidade de ataques terrestres em território de nações soberanas para combater cartéis ampliou imediatamente o debate sobre intervenção militar e soberania na América Latina. A medida tem gerado:
- Reações contrárias de diversas autoridades latino-americanas.
- Preocupações quanto ao respeito ao direito internacional.
- Questionamentos sobre os limites da ação unilateral de um país em território de outro.
Um Cenário de Tensão Crescente
A declaração de Trump coloca o México em uma posição delicada, entre a pressão de seu principal parceiro comercial e a defesa de sua soberania nacional. A rejeição prévia de Sheinbaum ao pedido de autorização indica que a proposta não será facilmente aceita. Analistas apontam que a estratégia de Trump faz parte de um esforço mais amplo e visível para enfrentar o narcotráfico, utilizando as forças armadas de maneira mais direta e expansiva.
Enquanto isso, o anúncio deixa uma névoa de incerteza sobre como e quando essas operações terrestres poderiam ocorrer, e quais seriam as consequências geopolíticas para a estabilidade e as relações diplomáticas em todo o continente americano.