Governo Trump explica ao Congresso operação que capturou Maduro
Trump explica ao Congresso captura de Maduro

Integrantes do alto escalão do governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, iniciaram nesta segunda-feira, 5 de janeiro de 2026, um processo de esclarecimento perante o Congresso americano. O foco são os detalhes e a legalidade da operação militar que resultou na captura do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, e de sua esposa durante o fim de semana.

Operação sigilosa reacende debate constitucional

A reunião, de caráter reservado, ocorre dois dias após a ofensiva e reacende um intenso debate sobre os limites legais do Poder Executivo. Diferentemente do protocolo habitual, a Casa Branca optou por não notificar previamente os parlamentares sobre a ação. O próprio Trump justificou a decisão, alegando risco de vazamento de informações que poderiam comprometer o sucesso da missão.

O encontro inclui os principais líderes da Câmara e do Senado, tanto republicanos quanto democratas, além dos presidentes e membros mais graduados das comissões de Inteligência, Defesa e Relações Exteriores. Este grupo, informalmente conhecido como “Gang of Eight”, é tradicionalmente informado sobre operações sensíveis de segurança nacional antes, durante ou logo após sua execução.

Questionamentos legais e desconforto político

A ausência de notificação prévia gerou reação imediata e crítica no Capitólio. Parlamentares questionam a classificação da ação como um mero ato policial, argumento central usado pelo governo para dispensar a autorização legislativa. O secretário de Estado, Marco Rubio, tem sustentado que a ofensiva teve natureza policial, voltada à prisão de Maduro para que ele responda a acusações de narcotráfico nos EUA, e não configuraria um ato de guerra.

Essa interpretação é contestada por especialistas em direito constitucional e por parlamentares da oposição, que veem na ação uma violação direta das normas que regem operações encobertas e o uso da força no exterior. “O presidente conduziu uma ação militar contra outro país sem autorização, sem aviso e sem prestar contas à sociedade americana”, afirmou o senador democrata Jack Reed, de Rhode Island.

O desconforto não se limitou à oposição. Mesmo dentro do Partido Republicano, a condução do episódio gerou mal-estar. A senadora Susan Collins, integrante da Comissão de Inteligência, afirmou que o Congresso deveria ter sido informado previamente e cobrou participação legislativa nas próximas decisões sobre a Venezuela.

Composição da reunião e estratégia de defesa

Além de Marco Rubio, participaram do briefing reservado ao Congresso o secretário de Defesa, Pete Hegseth; o chefe do Estado-Maior Conjunto, general Dan Caine; o diretor da CIA, John Ratcliffe; e a procuradora-geral Pam Bondi. A presença dessas autoridades simultaneamente é um sinal de que o governo tenta sustentar as dimensões militar, de inteligência e judicial da ofensiva contra Maduro.

Horas após a captura, Trump foi direto ao ponto para explicar a quebra do protocolo: “O Congresso tem tendência a vazar informações”, declarou, em tom de desafio. A fala reforça uma postura que tem marcado seu segundo mandato: a ampliação dos poderes presidenciais em detrimento dos mecanismos de controle institucional.

Um precedente delicado para a política externa

A ofensiva que levou à captura de Nicolás Maduro estabelece um precedente sensível. Analistas ouvidos por veículos como The New York Times, Washington Post e Financial Times alertam que classificar uma operação militar transnacional como ação policial pode ampliar perigosamente a margem de manobra do Executivo em futuras intervenções, contornando o Congresso sob argumentos de urgência ou sigilo.

O caso ocorre em um momento em que Washington busca redefinir sua influência na América Latina, após anos de relações tensas com Caracas e com governos da região críticos à estratégia americana. A forma como a Casa Branca justifica a operação e lida com a pressão do Congresso poderá ter um impacto duradouro sobre o equilíbrio institucional nos EUA e sobre a credibilidade internacional do país.