Trump confirma envio de agentes do ICE para aeroportos dos EUA em meio a crise orçamentária
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, confirmou publicamente que agentes do ICE, a polícia de imigração americana, serão enviados para aeroportos do país nesta segunda-feira (23). A decisão ocorre em meio a um bloqueio de repasses financeiros à Agência de Segurança de Transportes (TSA), que resultou em uma significativa falta de agentes nos terminais aéreos.
Anúncio oficial e contexto político
Em uma publicação no Truth Social neste domingo (22), o republicano afirmou: "Nesta segunda, o ICE irá aos aeroportos para ajudar nossos maravilhosos agentes da TSA que continuam trabalhando". Trump já havia ameaçado no sábado mobilizar agentes federais caso os democratas no Congresso não concordassem imediatamente em financiar a segurança aeroportuária.
Desde 14 de fevereiro, a oposição se recusa a liberar verbas para o Departamento de Segurança Interna (DHS), órgão ao qual a TSA está subordinada, exigindo novas restrições à aplicação das leis de imigração. As negociações com os republicanos estão completamente travadas, e a paralisação parcial do financiamento já entra em sua quinta semana consecutiva.
Impactos operacionais e financeiros
Enquanto o impasse político não se resolve, o Departamento de Segurança Interna continua operando apenas com o que classifica como "missões essenciais". No entanto, muitos de seus funcionários, incluindo os agentes da TSA, estão sem receber salários há semanas. A falta de financiamento teve poucas implicações diretas para o ICE porque os republicanos aprovaram bilhões de dólares para a agência em seu projeto de lei tributária.
Agentes de triagem e outros funcionários da TSA têm faltado ao trabalho alegando doença nas últimas semanas, causando um aumento considerável nos tempos de inspeção em diversos aeroportos. Em alguns casos, as filas de segurança têm se estendido por horas, enquanto a ausência de pessoal também tem levado a interrupções de viagens em grandes aeroportos internacionais.
Posicionamentos políticos divergentes
Republicanos tentaram pressionar os democratas a ceder e concordar em financiar o órgão sem novas restrições aos agentes que executam a campanha de deportação de Trump. Eles argumentaram que a guerra no Oriente Médio tornava ainda mais crucial financiar as agências de segurança, incluindo a TSA e o Serviço Secreto.
Os democratas, porém, defendem sua própria proposta para financiar o departamento, excluindo especificamente o ICE (Serviço de Imigração e Controle de Alfândega), o CBP (Alfândega e Proteção de Fronteiras) e o gabinete do DHS. Os republicanos, no entanto, rejeitam categoricamente essa ideia, criando um impasse que já dura semanas sem sinais recentes de progresso nas negociações com a Casa Branca.
Capacitação e atuação do ICE
É importante destacar que os agentes do ICE não são especificamente treinados para a segurança aeroportuária, responsabilidade primária da TSA. O ICE tem desempenhado um papel central na repressão à imigração promovida pelo governo Trump, avançando na meta do presidente de impor políticas de imigração mais rigorosas.
A agência reduziu drasticamente as travessias ilegais na fronteira e aumentou significativamente a contratação de agentes. Juntamente com a Customs and Border Protection, o ICE tem enviado agentes nos últimos meses para várias cidades e estados, com foco especial nos governados por democratas, como parte dessa repressão migratória.
Consequências e repercussões
A mais recente megaoperação do ICE, realizada em Minnesota, resultou na morte dos cidadãos americanos Renee Good e Alex Pretti, atingidos por tiros disparados por agentes federais. Esta crise causou repercussão negativa até mesmo entre alguns republicanos e culminou com a demissão da secretária de Segurança Interna, Kristi Noem.
Trump indicou o senador republicano Markwayne Mullin para substituí-la, mas o nome ainda precisa ser aprovado pelo Congresso. Na quinta-feira (19), o Comitê de Segurança Interna do Senado votou por 8 a 7 para enviar a nomeação de Mullin ao plenário com recomendação favorável, mantendo o processo em andamento.



