O presidente Luiz Inácio Lula da Silva concedeu uma entrevista ao jornal americano The Washington Post, publicada neste domingo, 17 de maio de 2026, na qual afirmou que acredita na possibilidade de diálogo com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Lula disse que não desistirá de tentar convencer Trump a negociar não apenas as sanções comerciais impostas ao Brasil, mas também questões envolvendo países como Cuba, Venezuela e até o Irã.
Diálogo e bom humor
“Se eu consegui fazer o Trump rir, eu consigo outras coisas também”, declarou Lula ao periódico. “Não se pode simplesmente desistir.” Esta foi a primeira entrevista do presidente brasileiro desde seu encontro com Trump em 8 de maio, em Washington. Durante a conversa, Lula revelou que comentou com Trump sobre a seriedade dos retratos oficiais pendurados no salão da Casa Branca e sugeriu que era preciso sorrir. Trump, segundo Lula, respondeu que as pessoas preferem líderes sérios. “Só nas eleições. Agora que você está no governo, você pode sorrir”, retrucou o petista.
Oportunidade para rebater falsidades
Lula também afirmou que as recentes conversas e a aproximação com Donald Trump representam uma oportunidade para rebater “falsidades” que, segundo ele, alimentaram a agressividade tarifária dos Estados Unidos contra o Brasil. Trump chegou a aplicar uma tarifa de 50% sobre as importações americanas de produtos brasileiros, a mais alta do mundo, atribuindo a medida ao que chamou de perseguição injusta ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
Comparação com Bolsonaro
“Eu nunca vou dizer a Trump para não gostar de Bolsonaro, isso é um problema dele”, disse Lula. “Eu não preciso fazer nenhum esforço para que veja que eu sou melhor que Bolsonaro. Ele já sabe disso.” A declaração reforça a confiança do presidente brasileiro em sua capacidade de negociação e em sua imagem perante o líder americano.
A entrevista, que ocorre em meio a tensões comerciais e geopolíticas, sinaliza a disposição de Lula em atuar como mediador em questões internacionais, incluindo o programa nuclear iraniano. O presidente brasileiro se mostrou otimista quanto à possibilidade de avanços nas relações bilaterais e no cenário global.



