Trump em Davos: 'Ninguém defende Groenlândia como EUA' e críticas à Dinamarca
Trump em Davos: 'Ninguém defende Groenlândia como EUA'

Trump em Davos reacende polêmica sobre Groenlândia e critica aliados europeus

Durante sua participação no Fórum Econômico Mundial em Davos, na quarta-feira (21), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a defender a anexação da Groenlândia pelo país norte-americano. Em declarações contundentes, ele afirmou que "ninguém pode defender a Groenlândia como os Estados Unidos", mantendo o tom assertivo que tem caracterizado sua nova campanha pelo território ártico.

Críticas à Dinamarca e confusão geográfica

Trump não poupou críticas à Dinamarca, chamando o país europeu de "ingrato" e afirmando que a Europa como um todo "não está indo na direção correta" ao apoiar Copenhague na disputa. Em um momento peculiar de seu discurso, o presidente norte-americano confundiu Groenlândia com Islândia ao falar de improviso, demonstrando certa desorientação geográfica durante sua argumentação.

O mandatário também expressou descontentamento com a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), questionando o apoio dos aliados europeus aos interesses americanos. "O problema com a OTAN é que estaremos lá por eles, 100%, mas não tenho certeza se eles estarão lá por nós", declarou Trump, reforçando sua visão crítica sobre a aliança militar.

Aliança histórica entre EUA e Dinamarca

Por trás das recentes tensões diplomáticas, existe uma sólida parceria estratégica entre Estados Unidos e Dinamarca, forjada durante a Segunda Guerra Mundial. A ocupação alemã em 1940 fez a Dinamarca abandonar sua política de neutralidade, estabelecendo bases para uma cooperação militar que perdura até hoje.

Alguns marcos importantes dessa aliança incluem:

  • Durante a Segunda Guerra Mundial, os EUA estabeleceram a Base Aérea de Thule (atual Pituffik) na Groenlândia
  • Em 1949, a Dinamarca tornou-se um dos membros fundadores da Otan
  • Após os ataques de 11 de setembro, a Dinamarca enviou aproximadamente 9.500 combatentes para o Afeganistão
  • Na invasão do Iraque, 500 militares dinamarqueses apoiaram as forças americanas

Vitelio Brustolin, professor de Relações Internacionais da UFF, destacou em entrevista ao podcast O Assunto que "a Dinamarca, em termos per capita, perdeu mais soldados nas guerras do Afeganistão e do Iraque apoiando os Estados Unidos do que os próprios Estados Unidos".

Interesse histórico na Groenlândia

A atração americana pela Groenlândia não é recente. Já em 1946, os Estados Unidos ofereceram US$ 100 milhões à Dinamarca pela compra da ilha, além de cogitarem trocar terras no Alasca por partes estratégicas do território ártico. Embora a transação não tenha se concretizado, os americanos mantiveram presença militar na região.

Trump aproveitou seu discurso em Davos para criticar decisões históricas, afirmando que os EUA foram "estúpidos" ao "devolver" a Groenlândia em 1945 - embora tecnicamente não tenha havido uma devolução formal, mas sim o fim de uma ocupação militar temporária.

Propostas atuais e negociações

O presidente norte-americano insistiu que não pretende usar a força para anexar a Groenlândia, mas mantém firme o interesse na compra do território. Ele apresentou a ilha como componente essencial de um ambicioso sistema de defesa que chamou de "Domo de Ouro", comparando-o ao Domo de Ferro israelense, porém em escala muito maior.

Horas após seu discurso principal, Trump anunciou ter estabelecido com a Otan a estrutura para um futuro acordo envolvendo a Groenlândia, resultado de reunião com o secretário-geral da aliança, Mark Rutte. A localização estratégica da Groenlândia, próxima ao Polo Norte e a territórios que foram soviéticos durante a Guerra Fria, continua sendo um fator crucial no interesse americano pela região.

Esta nova investida diplomática ocorre em um contexto de reeavaliação das relações transatlânticas, com Trump demonstrando disposição para redefinir os termos da cooperação militar e estratégica com os aliados europeus.