Os presidentes Donald Trump, dos Estados Unidos, e Gustavo Petro, da Colômbia, marcaram um encontro na Casa Branca para a primeira semana de fevereiro. O anúncio foi feito pelo próprio mandatário norte-americano nesta sexta-feira (9), após uma conversa telefônica entre os dois líderes, que busca amenizar uma sequência recente de ameaças públicas.
Do conflito verbal ao convite para a Casa Branca
A decisão de realizar a reunião surge no contexto de uma relação bilateral extremamente tensa nos últimos meses. Em dezembro, Trump chamou Petro de "traficante de drogas" em uma publicação nas redes sociais, em meio a operações militares colombianas no Caribe e no Pacífico. Na ocasião, o republicano também fez uma ameaça velada, sugerindo que o colombiano "é melhor ele ficar esperto, ou será o próximo", em uma referência indireta à captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro.
As hostilidades verbais continuaram. Um dia após a prisão de Maduro em Caracas, Trump afirmou que uma nova operação militar, desta vez contra a Colômbia, "soa bem" para ele. Além das críticas, o governo Trump já havia aplicado sanções contra a Colômbia em outubro de 2025, aumentando a pressão econômica sobre o país sul-americano.
A pauta central: o combate ao narcotráfico
Em sua mais recente declaração, que antecedeu o anúncio da reunião, Trump deixou claro qual será o tema dominante do encontro. "Tenho certeza de que tudo correrá muito bem para a Colômbia e para os EUA, mas a entrada de cocaína e outras drogas nos Estados Unidos precisa ser IMPEDIDA", escreveu o presidente americano, usando letras maiúsculas para dar ênfase à sua principal demanda.
O tom da mensagem, apesar de ainda assertivo, parece indicar uma abertura para o diálogo, contrastando com as ameaças anteriores. A reunião marcada para o início de fevereiro representa uma tentativa de canalizar o conflito para a esfera diplomática.
O que esperar do encontro entre os líderes?
Gustavo Petro, o primeiro presidente de esquerda eleito na história da Colômbia, terá pela frente um desafio diplomático complexo. O encontro na Casa Branca ocorrerá sob o pano de fundo das sanções já impostas e da retórica agressiva que marcou os últimos meses.
Analistas acreditam que, além da questão do narcotráfico, a pauta pode incluir temas como cooperação militar, comércio bilateral e a situação política regional. A capacidade de os dois líderes encontrarem pontos de convergência após um período de tão alta tensão será testada. O resultado deste encontro pode redefinir os rumos da relação entre os Estados Unidos e um de seus principais aliados históricos na América do Sul.