Trump e Petro conversam após ameaças: 'honra' e reunião na Casa Branca
Trump e Petro conversam após troca de ameaças públicas

Em um desfecho inesperado após dias de tensão pública, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e seu homólogo colombiano, Gustavo Petro, mantiveram sua primeira conversa telefônica nesta quarta-feira, 7 de janeiro de 2026. O diálogo, que durou cerca de uma hora, marcou uma mudança de tom após uma série de acusações e ameaças mútuas que chegaram a incluir a possibilidade de uma intervenção militar.

Do confronto ao convite para a Casa Branca

Através de sua rede social Truth Social, Donald Trump descreveu o contato como uma "grande honra". O líder americano afirmou que Petro telefonou para explicar questões relacionadas ao narcotráfico e outros desentendimentos entre os dois países. Trump agradeceu a ligação e o tom utilizado, estendendo um convite formal para uma visita à Casa Branca em um "futuro próximo".

"Estão sendo feitos acertos entre o secretário de Estado Marco Rubio e o chanceler da Colômbia. A reunião vai acontecer na Casa Branca", complementou Trump em sua publicação. Ainda não há uma data definida para o encontro, mas o presidente colombiano já sinalizou que atenderá ao convite.

O pano de fundo de acusações e ameaças

A conversa diplomática ocorre após uma semana de hostilidades verbais públicas. Tudo começou quando Donald Trump, sem apresentar provas, acusou Gustavo Petro de ser um "líder do narcotráfico". Em declarações inflamadas, o presidente americano chegou a dizer que consideraria "bem" realizar uma incursão militar na Colômbia, similar à operação que levou à captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro no último sábado.

Em resposta, Gustavo Petro, um ex-guerrilheiro do M-19 que se tornou o primeiro presidente de esquerda da Colômbia, adotou um discurso de confronto. Na segunda-feira, 5 de janeiro, ele afirmou na rede social X que pegaria "de novo em armas" para defender a pátria diante das ameaças de Trump, quebrando um juramento feito desde o pacto de paz de 1989.

Nesta quarta-feira, antes do telefonema, Petro ainda havia convocado marchas em todo o país para repudiar as declarações do colega americano.

Mudança de tom e diálogo direto

Após a conversa de uma hora, o tom do presidente colombiano se alterou significativamente. Petro revelou que havia preparado um discurso "muito duro", mas mudou de ideia após o diálogo. Ele destacou que pediu a Trump o restabelecimento dos contatos diretos entre as chancelarias e os próprios presidentes dos dois países.

"Chegaram a convencer Trump de que eu era o rei da fábrica de cocaína [...] Trump não é bobo", disse Petro, sugerindo que conseguiu desfazer equívocos durante a ligação. Os dois líderes também discutiram a situação do tráfico de drogas e os acontecimentos na Venezuela.

O episódio gerou repercussão internacional. Durante uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU, a representante da Colômbia, Leonor Zalabata Torres, condenou a operação que derrubou Maduro, comparando-a aos "piores momentos de interferência" na região. Ela alertou que tais ações constituem uma ameaça clara à preservação da América Latina como uma zona de paz.

O desfecho, por ora, aponta para uma desescalada retórica, com a diplomacia retomando seu lugar. No entanto, o convite para a Casa Branca e as negociações entre Marco Rubio e o chanceler colombiano serão os próximos passos observados para medir a real temperatura das relações entre Washington e Bogotá.