Trump ameaça Lei da Insurreição após violência do ICE em Minneapolis
Trump ameaça usar Lei da Insurreição em protestos

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fez uma grave ameaça nesta quinta-feira (15) que elevou ainda mais a tensão no estado de Minnesota. Horas após um novo episódio de violência envolvendo um agente federal de imigração em Minneapolis, Trump declarou que pode invocar a Lei da Insurreição, uma legislação de 1807 que autoriza o uso das Forças Armadas para reprimir rebeliões dentro do país.

Ameaça nas redes sociais e reação imediata

Em uma publicação na plataforma Truth Social, o mandatário direcionou sua fúria aos "políticos corruptos" de Minnesota. Trump afirmou que, se as autoridades estaduais não contiverem os "agitadores e insurrecionistas" que, segundo ele, atacam agentes do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE), ele não hesitará em recorrer à controversa lei para restabelecer a ordem.

A simples menção à Lei da Insurreição gerou alarme entre governadores e prefeitos. Líderes locais já consideram a intervenção federal excessiva e um fator de desestabilização. A legislação, criada no século XIX, tem um histórico pesado: foi usada durante a Guerra Civil Americana, na década de 1960 para fazer cumprir o fim da segregação racial e, pela última vez, em 1992, durante os violentos protestos antirracismo de Los Angeles, que deixaram 63 mortos.

O estopim: novo tiroteio e morte que abalou a cidade

A ameaça presidencial é uma resposta direta aos protestos que se intensificaram após dois incidentes graves. Na quarta-feira (14), um agente do ICE atirou e feriu um homem na perna durante uma abordagem de trânsito em Minneapolis. Segundo o Departamento de Segurança Interna dos EUA, a vítima é um imigrante venezuelano em situação irregular.

Em nota, a pasta detalhou que o homem resistiu à prisão e, durante uma luta corporal no chão, duas outras pessoas saíram de um apartamento próximo e atacaram o agente com uma pá de neve e um cabo de vassoura. O chefe de polícia de Minneapolis, Brian O'Hara, relatou que manifestantes foram às ruas após o caso e lançaram fogos de artifício contra policiais.

Este episódio ocorre na esteira de um caso ainda mais grave: a morte da cidadã americana Renée Nicole Good, de 37 anos, baleada por um agente do ICE na semana passada. Sua morte desencadeou uma onda massiva de indignação e protestos contra a presença das forças federais no estado.

Divisão profunda: líderes locais contra o governo federal

O clima em Minnesota é de confronto aberto entre a administração Trump e as autoridades eleitas localmente. O prefeito de Minneapolis, Jacob Frey, e o governador do estado, Tim Walz, ambos democratas, têm condenado veementemente a atuação do ICE.

"Isso não é sustentável", disse Frey. "Temos agentes do ICE por toda nossa cidade e por todo nosso estado que, junto com a Patrulha de Fronteira, estão criando caos." Em um vídeo, o governador Walz criticou "o caos, a perturbação e o trauma que o governo federal está despejando sobre a comunidade", descrevendo operações de interrogatório "porta a porta" por agentes "armados, mascarados e mal treinados".

A crise se aprofundou após o envio de cerca de 2.000 agentes federais para a região de Minneapolis, na maior operação do tipo já realizada pelo Departamento de Segurança Interna. Apesar dos protestos e dos pedidos de investigação, o governo Trump se recusa a apurar a morte de Renée Good, mantendo a versão de que o agente agiu em legítima defesa.

Opinião pública dividida e encontro internacional

Uma pesquisa Reuters/Ipsos divulgada na quinta-feira mostra uma clara divisão partidária sobre o tema. Entre os republicanos, 59% acreditam que as prisões de imigrantes devem ser priorizadas mesmo com risco de ferimentos graves, enquanto 39% defendem que a redução de danos às pessoas vem primeiro. Entre os democratas, há um consenso esmagador: 96% afirmam que evitar ferimentos deve ser a prioridade máxima.

Enquanto a crise doméstica se desenrola, Trump também atuou no front internacional. O presidente recebeu em Washington a líder da oposição venezuelana, María Corina. O encontro ocorre após o governo americano priorizar negociações com a chavista Delcy Rodríguez sobre o futuro da Venezuela, indicando um jogo político complexo que envolve tanto a política interna quanto as relações exteriores dos Estados Unidos.