Trump ameaça intervenção no México, mas relação com Sheinbaum pode evitar conflito
Trump ameaça intervenção no México, mas relação com Sheinbaum é chave

Em meio a declarações inflamadas sobre uma possível intervenção militar, a relação entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e a líder mexicana, Claudia Sheinbaum, surge como um fator crucial para evitar uma escalada de conflitos diretos. Apesar das ameaças públicas feitas por Trump, especialistas acreditam que o diálogo entre os dois governantes deve prevalecer.

As ameaças de Trump e a complexidade de uma intervenção

Durante uma entrevista, o mandatário norte-americano declarou que operações por terra no México estão perto de acontecer. Em sua fala, Trump afirmou que os cartéis de droga estão controlando o país vizinho, justificando uma ação mais enérgica. As declarações foram dadas na sexta-feira, 9 de janeiro de 2026.

No entanto, para Bruno Pasquarelli, doutor em ciência política e professor da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), as ameaças são confusas e uma invasão ao território mexicano seria uma empreitada extremamente complicada. “Trump traz esse discurso para tentar enfatizar uma possível intervenção. Mas é muito mais complicado”, analisou o especialista durante o Conexão Record News.

Pasquarelli destacou os custos elevados e as consequências humanas complexas de uma guerra contra as organizações criminosas mexicanas, questionando até que ponto o líder estadunidense levaria sua retórica ao limite.

A boa relação política como fator de contenção

Um elemento central que pode frear ações mais agressivas é o entendimento entre os dois presidentes. Autoridades do governo mexicano já sinalizaram que, apesar de condenações anteriores – como a captura de Maduro na Venezuela –, a presidente Claudia Sheinbaum tem a intenção de se aproximar dos Estados Unidos.

O professor Bruno Pasquarelli conclui que, apesar do comportamento imprevisível de Trump, ele possui uma boa relação com Sheinbaum. Essa dinâmica bilateral abre espaço para negociações em vez de confronto direto.

Cenário mais provável: ações focadas na fronteira

Na avaliação do especialista, é provável que negociações entre os dois países ocorram em breve. O cenário mais plausível, portanto, não seria um ataque direto ao governo nacional mexicano, mas sim intervenções mais esporádicas e centralizadas na região de fronteira.

Essas operações teriam como objetivo principal combater os cartéis de droga em áreas específicas, uma estratégia que minimizaria o impacto político e humanitário de uma intervenção em larga escala. A análise aponta que a diplomacia e o relacionamento pessoal entre os líderes serão determinantes para definir os próximos capítulos dessa relação tensa, porém estratégica, entre os dois países.