A chegada de tropas de países europeus à Groenlândia nesta quinta-feira (15) não alterou a posição do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre o território. A Casa Branca reafirmou que ele mantém o desejo de que a ilha passe para o controle norte-americano.
Presença militar europeia no Ártico
Alemanha, França, Suécia, Noruega, Finlândia e Holanda enviaram pequenos contingentes militares para a Groenlândia a pedido da Dinamarca, que administra a região autônoma. De acordo com autoridades europeias, os soldados participarão de exercícios militares e de ações preparatórias para uma presença maior da Otan no Ártico.
Esta movimentação ocorre em um contexto de crescente interesse geopolítico pela região, rica em recursos naturais e com rotas marítimas que se tornam mais acessíveis devido às mudanças climáticas.
Trump e a insistência na aquisição da Groenlândia
Karoline Leavitt, porta-voz da Casa Branca, foi enfática ao declarar que a chegada das tropas europeias não influencia o objetivo de Trump. “Não acho que tropas europeias influenciem o processo de decisão do presidente, nem o objetivo de adquirir a Groenlândia”, afirmou.
A declaração reacende uma polêmica antiga. Em 2019, Trump sugeriu publicamente que os EUA deveriam comprar a Groenlândia, ideia que foi prontamente rejeitada pelo governo dinamarquês e pelos líderes groenlandeses. Na ocasião, ele não descartou o uso da força para tomar o território, causando mal-estar diplomático.
Encontros diplomáticos e "desacordo fundamental"
Na quarta-feira (14), um dia antes da confirmação do envio das tropas, autoridades da Dinamarca e da Groenlândia se reuniram em Washington com o vice-presidente dos EUA, JD Vance, e o secretário de Estado, Marco Rubio.
Após o encontro, um representante dinamarquês afirmou que permanece um “desacordo fundamental” com Trump sobre o futuro da ilha. Apesar das divergências, os dois lados concordaram em criar um grupo de trabalho para discutir preocupações de segurança dos Estados Unidos na região.
A ministra das Relações Exteriores da Groenlândia, Vivian Motzfeldt, deixou claro o posicionamento local. Ela afirmou querer fortalecer a cooperação com os EUA, mas ressaltou que o território não deseja ser controlado por Washington.
Reações internacionais e preocupação russa
A Rússia manifestou séria preocupação com o envio de militares da Otan para a Groenlândia. O governo russo, por meio de sua embaixada na Bélgica (sede da Otan), acusou a aliança de promover uma mobilização “militar acelerada” no Ártico.
Segundo Moscou, o objetivo claro dessa movimentação é conter a Rússia e avançar uma agenda antirrussa e antichinesa. “A situação que está se desenrolando nas altas latitudes é motivo de séria preocupação para nós”, declarou a embaixada.
Do lado europeu, autoridades defendem que a presença militar tem dois propósitos principais:
- Reforçar a soberania da Dinamarca sobre a Groenlândia.
- Responder às críticas dos Estados Unidos sobre supostas lacunas de segurança no Ártico.
Países da União Europeia já alertaram que uma eventual ação militar americana contra um território da Otan – como a Groenlândia – colocaria em risco o futuro da própria aliança militar.
A tensão em torno da Groenlândia ilustra a nova disputa geopolítica pelo Ártico, onde interesses estratégicos, econômicos e de segurança de potências globais estão cada vez mais em choque.