Um pastor e empresário ligado a um ex-banqueiro foi afastado de suas funções ministeriais após se tornar alvo de uma operação policial de grande porte. A Igreja Batista da Lagoinha Belvedere anunciou o afastamento de Fabiano Zettel, cunhado do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, em nota divulgada na quinta-feira, 15 de janeiro de 2026.
Afastamento ministerial após operação policial
De acordo com o comunicado oficial da instituição religiosa, Fabiano Zettel foi afastado de qualquer atividade ministerial assim que as primeiras informações sobre a operação policial surgiram. A medida, segundo a igreja, teve como objetivo permitir a apuração dos fatos. A nota esclarece que, desde novembro de 2025, Zettel não exercia funções na Lagoinha.
O afastamento ocorreu após Zettel ser um dos alvos da segunda fase da Operação Compliance Zero, deflagrada na quarta-feira (14). A ação da Polícia Federal mira pessoas supostamente envolvidas em fraudes realizadas pelo Banco Master por meio de fundos de investimento.
Detenção e soltura do empresário
Os fatos se desenrolaram rapidamente. Fabiano Zettel chegou a ser preso quando se preparava para deixar o Brasil em um jatinho particular, com destino a Dubai. No entanto, ele foi solto poucas horas depois da detenção. A operação que o atingiu é parte de um amplo inquérito que investiga irregularidades no Banco Master e também foi mencionada no contexto da CPMI do INSS.
Em sua nota, a Igreja Batista da Lagoinha foi enfática ao rebater qualquer associação entre a instituição e as investigações em curso. A igreja afirmou que "não possui controle sobre a vida pessoal, profissional ou sobre atos individuais" de frequentadores, uma vez que a participação em uma comunidade religiosa não configura vínculo jurídico ou representativo.
Resposta institucional e medidas legais
A Lagoinha também se posicionou contra o que chamou de "disseminação de informações inverídicas". O comunicado afirma que a instituição adotará todas as medidas jurídicas cabíveis para proteger sua honra e história, incluindo ações por denunciação caluniosa e falsa comunicação de crime.
O texto finaliza evocando o compromisso da igreja com a verdade, a legalidade e os princípios éticos e cristãos. É importante notar que a nota não faz qualquer menção ao pastor André Valadão, outra liderança da Lagoinha que, segundo a senadora Damares Alves, foi implicada na CPMI do INSS.
Em um desdobramento paralelo, peritos consultados pela reportagem afirmaram que não é papel da Procuradoria-Geral da República (PGR) analisar as provas apreendidas na operação. O ministro determinou que todo o material seja lacrado e guardado na PGR, enquanto uma associação de peritos argumenta que a perícia federal tem a competência legal e a estrutura técnica necessária para o trabalho.