Premiê britânico Keir Starmer critica Trump e Putin por alta nos custos de energia
A divisão entre os aliados ocidentais no contexto da guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã ganhou um novo capítulo nesta sexta-feira (10), com o primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, fazendo uma rara crítica direta ao ex-presidente americano Donald Trump. Starmer declarou estar "farto" pelo aumento no custo da energia, atribuindo o problema às ações de Trump e do presidente russo Vladimir Putin.
Crítica direta e impacto econômico
Em entrevista à rede de TV ITN na noite de quinta-feira (9), Starmer afirmou: "Eu estou farto com o fato de que as famílias e os negócios em todo o país verem suas contas subirem e descerem com energia devido às ações de Putin e Trump pelo mundo". O premiê trabalhista está em apuros políticos, pois o gasto médio dos britânicos com energia já subiu 10% desde o início do conflito em 28 de fevereiro, e projeções indicam que o crescimento pode chegar a 40%, especialmente devido à escassez de gás.
Uma pesquisa publicada na quinta-feira pelo jornal Telegraph revela que 65% dos eleitores desejam a renúncia de Starmer, refletindo a insatisfação popular com a crise econômica. Na manhã desta sexta-feira, provavelmente ciente do estrago potencial de suas declarações, Starmer revelou que teve uma conversa na véspera com Trump sobre o fechamento do estreito de Hormuz pelo Irã, mencionando "opções militares" no cardápio de discussões.
Tensões na Otan e isolamento ocidental
Starmer estava no Qatar discutindo a crise quando fez esses comentários, que soaram como música para Trump, que não consultou seus aliados europeus sobre o ataque ao Irã e depois os criticou por falta de apoio. O ex-presidente americano classificou a Otan, aliança liderada pelos EUA com 30 membros europeus, de covarde por não enviar navios de guerra a Hormuz – nem os próprios americanos circulam na região devido às defesas iranianas.
O agravante com Starmer foi que o Reino Unido inicialmente não permitiu o uso de suas bases militares no conflito, embora elas estivessem disponíveis em campanhas anteriores. Pressionado publicamente, o premiê aquiesceu e liberou o emprego de unidades como Fairford para ataques no Irã, desde que fossem de natureza defensiva – uma contradição evidente. Outros países foram mais radicais:
- A Espanha não permitiu o uso de suas bases ou espaço aéreo para voos militares americanos.
- A França vetou alguns voos e, junto com a Alemanha, criticou abertamente a guerra, que Starmer havia dito que "não era nossa".
Consequências do conflito e preços de energia
Isolado ao lado do primeiro-ministro israelense Binyamin Netanyahu, Trump permaneceu na ofensiva e sugeriu na semana passada deixar a Otan. Isso levou o secretário-geral da aliança, Mark Rutte, a voar para Washington na quarta-feira (8) para tentar acalmar o presidente, sem resultados concretos além de palavras elogiosas. Na quinta-feira (9), Rutte disse que a Otan estaria pronta para ajudar, mesmo militarmente, se necessário, mas foi criticado pelo chanceler espanhol José Manuel Albares, que afirmou: "A Otan não tem envolvimento nesta guerra, o Oriente Médio não está dentro de sua área de atuação".
Essa cisão é um dos efeitos do conflito, que mantém os preços do petróleo e do gás em alta desde seu início. O cessar-fogo anunciado por Trump na terça-feira (7) fez o preço do barril Brent cair de US$ 110 para cerca de US$ 100 nos contratos futuros, mas a natureza frágil do arranjo mantém os preços para compra imediata em estratosféricos US$ 145. Um dos principais nós é a insistência do Irã em controlar o estreito de Hormuz, virtualmente fechado desde o começo do conflito.
A decisão do Irã de abrir uma rota própria com pagamento de pedágio para cargas, a ser discutida nas negociações marcadas com os EUA no Paquistão, irritou Trump, que disse na quinta-feira: "Isso não foi o combinado". Do outro lado, Teerã ameaça não aparecer para conversar devido aos ataques contínuos de Israel ao seu aliado Hezbollah no Líbano. Netanyahu, pressionado por Trump, anunciou negociações com Beirute, mas não com o grupo xiita, mantendo os combates.



