Exatamente cinco anos após os eventos que abalaram a democracia americana, o governo dos Estados Unidos tomou uma medida inédita e altamente polêmica. Nesta terça-feira, 6 de janeiro de 2026, foi lançado um site oficial sob o domínio da Casa Branca dedicado exclusivamente à versão do ex-presidente e atual mandatário, Donald Trump, sobre a invasão do Capitólio ocorrida em 2021.
A narrativa oficial do 6 de janeiro
O portal, acessível publicamente, apresenta uma releitura completa dos fatos do dia 6 de janeiro de 2021. No centro da narrativa está a celebração do indulto concedido aos chamados "presos políticos", uma das primeiras ações de Trump após retornar ao poder em 20 de janeiro de 2025. O texto do site argumenta que os manifestantes, muitos dos quais foram processados judicialmente, "foram injustamente perseguidos, acusados de crimes graves e usados como exemplos políticos".
De acordo com a publicação, o perdão presidencial colocou um ponto final em anos de sofrimento, incluindo confinamento solitário severo, negação do devido processo legal e separação familiar. A justificativa apresentada é de que essas pessoas estariam apenas exercendo seus direitos garantidos pela Primeira Emenda da Constituição americana.
Reclassificação dos eventos e acusações
Um dos pontos mais controversos do material é a reclassificação terminológica do que ocorreu. O site se refere consistentemente à invasão do Capitólio como um "protesto pacífico". Além disso, reforça a alegação, repetidas vezes desmentida por tribunais e investigações, de que as eleições de 2020, vencidas por Joe Biden, foram fraudulentas.
Uma linha do tempo interativa detalha os momentos do dia, insistindo que Trump pediu à multidão, para a qual discursava, que marchasse até o Capitólio de maneira "pacífica e patriótica". O texto descreve: "Após o discurso do presidente, a enorme multidão marchou pacificamente pela Avenida da Constituição em direção ao Capitólio para protestar contra a certificação da eleição fraudulenta. A marcha foi ordeira e animada, com bandeiras, cartazes e cânticos em apoio ao presidente Trump".
O conteúdo também busca defender as ações de Trump durante o ápice da crise. Afirma que, ao perceber a proporção dos eventos, o líder republicano teria pedido calma, postado mensagens em apoio às forças da lei nas redes sociais e divulgado um vídeo solicitando que seus apoiadores "voltassem para casa em paz".
Nancy Pelosi como principal responsável
A figura da ex-presidente da Câmara dos Representantes, a democrata Nancy Pelosi, é colocada no centro das críticas. O site a aponta como a principal responsável pelas falhas de segurança que permitiram que a situação saísse do controle.
Um vídeo incorporado à página mostra Pelosi assumindo, em depoimentos anteriores, a rejeição a um posicionamento prévio de tropas da Guarda Nacional, oferta feita momentos antes da invasão. A alegação é que essa decisão teria deixado o complexo do Capitólio vulnerável.
As acusações vão além da segurança. O portal também responsabiliza a parlamentar por supostamente gastar cerca de US$ 20 milhões em um comitê partidário com o objetivo declarado de "demonizar" a figura de Donald Trump e seus apoiadores, manipulando, assim, a narrativa eleitoral e os eventos do 6 de janeiro.
O lançamento deste site marca um capítulo singular na história política recente dos Estados Unidos, onde o poder executivo utiliza um canal oficial para estabelecer uma narrativa alternativa sobre um evento traumático para a nação, reacendendo debates profundos sobre memória, verdade e a instrumentalização da história.