Uma pesquisa internacional revela que a presidente do México, Claudia Sheinbaum, encerrou seu primeiro ano de mandato com um índice de aprovação doméstica recorde, superando outros importantes líderes latino-americanos. O dado surge em um contexto geopolítico tenso, no qual a mandatária mexicana tem se destacado por sua habilidade em negociar com o imprevisível governo dos Estados Unidos, comandado por Donald Trump.
Aprovação recorde e liderança regional
De acordo com um levantamento realizado pela AtlasIntel para a agência Bloomberg entre os dias 10 e 15 de dezembro, Claudia Sheinbaum conta com o respaldo de 61% dos eleitores mexicanos. O número a coloca em posição de destaque no cenário regional.
A pesquisa, que ouviu cidadãos de seis países, mostra que a vantagem da física de 63 anos é significativa. Ela está 12 pontos percentuais à frente do presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, que tem 49% de aprovação. Em relação ao argentino Javier Milei, a diferença é ainda maior, chegando a 17 pontos, uma vez que o líder argentino registra 44%.
Capacidade de dissuasão e negociação com Trump
O cenário de alta popularidade coincide com um momento de demonstração de força diplomática. Analistas apontam que a capacidade de dissuasão do governo mexicano é um dos fatores que explicam a ausência do país nas listas de possíveis alvos de intervenção militar norte-americana em 2026.
Prognósticos da casa de apostas Polymarket, com participação acionária da família de Donald Trump e citados pela Bloomberg, listam seis países como possíveis alvos de ações dos EUA neste ano. O Irã lidera com 56% de probabilidade, seguido por Venezuela (31%), Cuba (26%), Groenlândia (20%) e Colômbia (12%). O México não aparece nas especulações.
Este fato é notável porque, nesta semana, Trump voltou a ameaçar o país vizinho com uma invasão militar, usando como pretexto o combate aos cartéis de narcotráfico. No entanto, até o momento, Claudia Sheinbaum tem sido a única líder bem-sucedida em provocar Trump sobre a eficácia de acordos políticos, convertendo potenciais conflitos em oportunidades de cooperação.
O perfil da presidente
Ex-prefeita da Cidade do México e casada com um analista de riscos financeiros, Sheinbaum tem utilizado sua formação científica para conduzir uma política externa pragmática. Sua abordagem tem dado certo com o imprevisível mandatário norte-americano, pelo menos até esta segunda-feira, 12 de janeiro de 2026.
A estratégia parece render frutos tanto no campo internacional, ao manter o país fora da rota de conflitos imediatos, quanto no plano interno, consolidando seu apoio popular. A pesquisa confirma que a presidente, que assumiu há um ano, conseguiu transformar um período desafiador de relações bilaterais em um trunfo político.