Cuba enfrenta sexto apagão total em meio a crise energética e bloqueio dos EUA
Sexto apagão total em Cuba agrava crise energética e humanitária

Cuba mergulha na escuridão com sexto apagão total em meio a crise energética severa

Cuba enfrentou nesta segunda-feira, 16 de março de 2026, um novo apagão total que deixou praticamente toda a ilha sem energia elétrica. O blecaute ocorre em um contexto de grave crise de desabastecimento e bloqueio energético imposto pelos Estados Unidos, representando o sexto episódio do tipo em apenas um ano e meio.

Sistema elétrico colapsa sob pressão extrema

O Ministério de Energia e Minas de Cuba confirmou através das redes sociais que houve "uma desconexão total do Sistema Elétrico Nacional (SEN)", com as causas ainda sob investigação. A União Elétrica de Cuba (UNE) havia previsto para o horário de pico desta segunda-feira uma capacidade de geração de apenas 1.220 megawatts (MW) contra uma demanda máxima de 3.150 MW, revelando o abismo entre oferta e necessidade energética do país.

O Sistema Elétrico Nacional cubano tem operado sob pressão extrema por anos, sofrendo com:

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram
  • Avarias frequentes em centrais termoelétricas
  • Escassez crônica de combustível
  • Períodos prolongados de manutenção
  • Apagões diários em grande parte do território

Medidas de austeridade e protestos populares

O governo de Havana tem implementado medidas de austeridade drásticas, com cortes diários de energia que chegam a mais de 20 horas em grandes regiões e aproximadamente 15 horas em partes da capital. Esta situação já havia levado a protestos significativos, incluindo a invasão e depredação da sede do Partido Comunista na cidade de Morón no sábado anterior ao apagão.

No início de março, a ilha com 9,6 milhões de habitantes já havia sofrido um apagão que deixou cerca de dois terços do país às escuras, incluindo a capital Havana. O presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, revelou recentemente que a ilha não recebe remessas de petróleo há mais de três meses, operando apenas com energia solar, gás natural e usinas termoelétricas.

Pressão internacional e bloqueio energético

A situação energética cubana é dramaticamente agravada pela pressão internacional, particularmente dos Estados Unidos. Historicamente dependente do petróleo venezuelano, Cuba sofreu reduções catastróficas nas remessas após a operação militar americana na Venezuela em 3 de janeiro, que resultou na captura de Nicolás Maduro.

Desde então, os Estados Unidos intensificaram o cerco ao complexo petrolífero de Caracas e fecharam acordos com o governo interino de Delcy Rodríguez que dão ao país norte-americano maior controle sobre o combustível extraído na Venezuela. Washington também ameaçou aplicar tarifas a países que forneçam petróleo a Havana, medida que já levou o México a suspender suas remessas.

Diálogo bilateral e alertas humanitários

Sob intensa pressão do governo Trump, o presidente Díaz-Canel confirmou que "funcionários cubanos mantiveram recentemente conversas" com representantes dos Estados Unidos. Segundo o líder cubano, "as conversas foram orientadas a buscar soluções, por meio do diálogo, para as diferenças bilaterais que temos entre as duas nações".

No plano internacional, o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, já emitiu alertas sobre o risco de "colapso humanitário" caso Cuba não consiga importar combustível suficiente para atender às necessidades básicas de sua população. A organização negocia atualmente com os Estados Unidos o envio de petróleo considerado "humanitário" para a ilha caribenha.

O governo americano tem intensificado a narrativa de que Cuba representa uma "ameaça excepcional" à sua segurança nacional, citando as relações da ilha com países como China, Rússia e Irã como justificativa para as medidas restritivas. Esta postura contribui para o agravamento da crise energética que agora atinge níveis críticos, com apagões totais tornando-se eventos cada vez mais frequentes no território cubano.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar