O Senado dos Estados Unidos aprovou uma medida histórica para limitar o poder do presidente Donald Trump em relação à Venezuela. A resolução, aprovada nesta quinta-feira, 8 de janeiro de 2026, visa impedir que o mandatário ordene novas ações militares contra o país sul-americano sem a devida autorização do Congresso.
Votação bipartidária freia poder presidencial
A decisão ocorre dias após uma operação militar secreta que resultou na captura do presidente venezuelano, Nicolás Maduro. A ação, realizada no último fim de semana, levou Maduro para Nova York, onde ele enfrentará acusações de narcoterrorismo. O Congresso norte-americano não foi consultado previamente sobre a missão.
A resolução foi aprovada por 52 votos a 47. O placar reflete uma rara divisão no Partido Republicano, com todos os senadores democratas votando a favor, somando-se a cinco republicanos que romperam com a linha do presidente. Os senadores Rand Paul, Todd Young, Lisa Murkowski, Josh Hawley e Susan Collins apoiaram a medida proposta pelo democrata Tim Kaine.
"A guerra deve ser o último recurso e não deve ser iniciada com base na vontade de uma única pessoa", declarou Kaine em discurso no plenário, defendendo a necessidade de o Congresso reafirmar seu papel constitucional.
Contexto de tensão e operação controversa
A campanha de pressão de Trump contra o governo de Maduro se intensificou em setembro, com a aprovação de ataques aéreos contra embarcações na costa venezuelana. A Casa Branca alegou que os barcos transportavam drogas, mas especialistas contestaram a informação. Esses bombardeios resultaram na morte de pelo menos 110 pessoas.
A controvérsia aumentou quando surgiram informações de que, em um dos ataques, militares americanos teriam optado por eliminar dois sobreviventes em vez de capturá-los, uma ação que colide com as leis internacionais de guerra e a Carta da ONU.
A operação que capturou Maduro no sábado, envolvendo unidades especiais e bombardeios em Caracas, gerou revolta imediata. Trump justificou a falta de aviso ao Congresso alegando que os legisladores "têm a tendência de vazar informações". No entanto, democratas e até alguns republicanos argumentaram que a ação foi ilegal por não ter a aprovação do Legislativo e alertaram para o risco de um conflito prolongado.
Desdobramentos políticos e o futuro da intervenção
A resolução aprovada é a mais recente tentativa dos democratas, atualmente minoria no Congresso, para frear a ofensiva de Trump na Venezuela. Propostas anteriores sobre os poderes de guerra não haviam sido aprovadas, embora por margens estreitas.
O apoio crucial dos cinco republicanos só veio após a captura de Maduro. Muitos no partido do presidente, no entanto, continuam a elogiar a operação e a extradição do líder venezuelano como usos eficazes do poder americano.
A medida deixa claro que, para qualquer novo uso da força militar contra a Venezuela, Trump precisará solicitar permissão formal ao Congresso. O episódio reacendeu um debate fundamental nos EUA sobre os limites do poder presidencial e os mecanismos de checks and balances no sistema político do país.