O cenário político internacional foi abalado no dia 4 de janeiro de 2026, após a confirmação da captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro por forças dos Estados Unidos. A operação, anunciada pelo ex-presidente Donald Trump em sua rede social Truth Social, retirou Maduro e sua esposa do país, gerando uma onda imediata de reações globais.
Posicionamento Firme de um Ícone do Rock
Entre as vozes mais contundentes a se levantarem contra a ação norte-americana está a do músico britânico Roger Waters, ex-integrante da lendária banda Pink Floyd. Conhecido por seu ativismo político incisivo, Waters utilizou suas plataformas nas redes sociais para defender a soberania venezuelana e atacar o que chamou de "intervencionismo imperial" dos EUA.
Em um vídeo publicado na plataforma X, o artista se disse "paralisado pela agressão selvagem e ativa cometida pelo império americano". Dirigindo-se diretamente ao povo e ao governo da Venezuela, Waters declarou: "Estamos com vocês". Ele estimou que a "imensa maioria" da população mundial, possivelmente 99%, reprovaria a atitude dos Estados Unidos.
Em um tom de forte reprovação, Waters acusou a potência norte-americana de infantilidade. "Pelo amor de Deus, amadureçam, parem de se comportar como crianças no pátio da escola. Este é o nosso mundo, não o de vocês", escreveu. O músico, que se declarou "um homem ativo" em vez de um "homem de oração", prometeu fazer "tudo ao seu alcance" para apoiar a Venezuela, um país que, em sua visão, sofre pelas ações da "polícia americana".
Um Apoio de Longa Data ao Chavismo
A manifestação de Waters não é um evento isolado, mas sim o capítulo mais recente de um histórico de alinhamento com o governo chavista. Desde pelo menos 2019, o artista tem sido um defensor público de Nicolás Maduro, frequentemente questionando a legitimidade da oposição venezuelana e criticando as sanções econômicas impostas por Washington e aliados europeus.
Naquele ano, durante o ápice da crise política e humanitária no país, Waters chegou a rejeitar iniciativas internacionais de envio de ajuda humanitária, como o festival Venezuela Aid Live. Sua argumentação era a de que tais ações seriam, na verdade, instrumentos para pavimentar o caminho de uma intervenção estrangeira.
Ao longo dos últimos anos, em diversas entrevistas e textos, o músico construiu uma narrativa de apoio incondicional, afirmando que a Venezuela vivia uma "democracia real" e que as acusações de autoritarismo e repressão eram exageros ou manipulações promovidas por interesses externos. Essas posições, no entanto, renderam-lhe duras críticas de organizações de direitos humanos e de parte da imprensa internacional, que documenta violações sistemáticas no país sul-americano.
O Contexto da Operação e as Repercussões
A ação militar americana ocorre em um contexto de tensões históricas que remontam à ascensão do chavismo ao poder, há mais de duas décadas. Após a captura de Maduro, autoridades dos EUA informaram que o líder venezuelano foi formalmente indiciado por acusações de narcoterrorismo e que será julgado por um tribunal federal em Nova York.
Além disso, o governo norte-americano declarou sua intenção de assumir temporariamente a administração da Venezuela até que um processo de transição política seja concluído. Esta medida radical amplia significativamente o potencial de instabilidade na região e reacende um intenso debate geopolítico sobre os limites da intervenção internacional e o princípio da soberania nacional.
A reação de Roger Waters, portanto, ecoa em um momento de extrema sensibilidade. Ela representa a continuidade de um engajamento político marcado por um apoio consistente ao regime de Caracas e por críticas sistemáticas à atuação dos Estados Unidos, especialmente na América Latina. Enquanto o mundo observa os desdobramentos dessa crise, a voz do icônico músico se junta ao coro de um debate que promete definir os rumos das relações internacionais nos próximos anos.