O cenário político da Venezuela foi marcado por uma demonstração de força minoritária neste sábado, 3 de janeiro de 2026. Enquanto apoiadores do líder Nicolás Maduro ocupavam o centro de Caracas para protestar contra sua captura pelos Estados Unidos, dados de uma pesquisa revelam um sentimento oposto na maior parte da população.
Protestos Vermelhos no Coração de Caracas
Convocados por líderes do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), grupos identificados como chavismo militante ou de base começaram a se concentrar após o meio-dia. O ato ocorreu quase 12 horas após a queda do mandatário, que foi capturado em uma operação conduzida pelos americanos.
Os manifestantes, em sua maioria vestindo vermelho e carregando bandeiras da Venezuela, imagens de Maduro e de seu mentor, Hugo Chávez, dirigiram-se para as proximidades do Palácio de Miraflores. A prefeita de Caracas, Carmen Teresa Meléndez, esteve presente e fez declarações contundentes: “Nós estamos nas ruas pedindo uma prova de vida, que devolvam o nosso Presidente, que foi sequestrado”.
A mobilização contou com a presença de figuras como o primeiro vice-presidente do Legislativo, Pedro Infante, e outros deputados, que expressaram repúdio à ação norte-americana. Os cânticos de “o povo unido jamais será vencido” ecoavam, enquanto os participantes exigiam informações sobre o paradeiro de Maduro. Até aquele momento, a única imagem disponível do presidente era uma fotografia que o mostrava a bordo de um navio de guerra americano.
A Realidade por Trás das Cenas Televisionadas
Apesar da cobertura dada pelos canais estatais, que mostraram protestos similares em outras cidades com slogans como “Maduro, aguenta firme, que o povo se levanta”, a pesquisa da AtlasIntel pinta um quadro muito diferente da opinião pública venezuelana.
Os números são reveladores: 55% dos venezuelanos acreditam viver em uma ditadura. Apenas 18% discordam dessa afirmação, enquanto 27% não souberam responder. A mesma proporção acredita que Maduro roubou as eleições de julho de 2024 e que o país estaria melhor sem ele.
O desgaste da imagem do líder é evidente. O levantamento apontou que somente 15% dos entrevistados têm uma visão positiva sobre Maduro, contra 60% que declararam ter uma visão negativa.
O Surpreendente Apoio à Intervenção Estrangeira
O dado mais impactante da pesquisa, no entanto, diz respeito à percepção sobre uma solução para a crise política. Na época da pesquisa, um em cada quatro venezuelanos já considerava que a maneira mais viável de derrubar o regime e restaurar a democracia seria uma intervenção militar liderada pelos Estados Unidos.
Mais significativo ainda: mais de um terço da população declarava apoio a tal ação americana. Esse número contrasta fortemente com a minoria que foi às ruas neste sábado para pedir o retorno do presidente deposto.
Enquanto os protestos em Caracas queimavam bandeiras dos EUA, uma parcela substancial do país via na potência norte-americana uma possível saída para anos de crise econômica, política e social iniciada com Hugo Chávez e aprofundada por Maduro, que assumiu em 2013.
A expectativa agora é sobre o destino judicial do ex-líder. Acredita-se que ele e sua esposa, Cilia Flores, tenham chegado a Nova York, onde devem responder por acusações de conspiração e narcotráfico. Enquanto isso, a Venezuela se vê dividida entre um chavismo que resiste nas ruas e uma maioria silenciosa que, segundo os dados, ansiava por uma mudança radical.