Socialista moderado deve vencer eleição presidencial em Portugal
O cenário político português vive um momento decisivo neste domingo (8), com o segundo turno das eleições presidenciais. De acordo com as últimas pesquisas de opinião, o socialista moderado Antonio José Seguro está prestes a obter uma vitória expressiva sobre o candidato de extrema-direita, André Ventura. As projeções indicam que Seguro deve conquistar entre 50% e 60% dos votos, aproximadamente o dobro da fatia esperada para Ventura.
Aliança inédita contra a extrema-direita
Um dos aspectos mais marcantes desta eleição é o apoio que Seguro recebeu de setores conservadores e da centro-direita portuguesa. Figuras proeminentes, como o ex-presidente Aníbal Cavaco Silva e ministros do atual governo de centro-direita, além da maioria dos candidatos da primeira rodada, uniram-se para impedir a vitória de Ventura. Eles consideram que o líder do partido Chega representa tendências autoritárias que ameaçam a ordem democrática do país.
"Isso é bastante incomum na Europa... vê-los (a centro-direita) apoiando um socialista", afirmou Javier Carbonell, analista político do European Policy Centre. "Há um elemento do status quo e um elemento de frente democrática que eles sentem que precisa ser preservado."
Ascensão de Ventura e influência na política
André Ventura, um carismático ex-comentarista esportivo, expressou surpresa com o apoio da centro-direita a Seguro. No entanto, sua campanha reflete a crescente influência da extrema-direita em toda a Europa. Seu partido, o Chega, conhecido por posições antiestablishment e anti-imigração, tornou-se a segunda maior força parlamentar nas eleições gerais do ano passado.
Como em outras partes do continente, a extrema-direita já impactou as políticas governamentais portuguesas, especialmente em relação à imigração, levando a uma postura mais restritiva. Ventura, que visitou áreas afetadas por tempestades e inundações recentes, acusou o governo de responder lentamente às crises.
Algumas projeções sugerem que Ventura pode se aproximar ou até superar os 31,2% de apoio conquistados pela Aliança Democrática governista nas eleições parlamentares de 2025. Ele afirmou que, se eleito, buscaria mudanças constitucionais para expandir os poderes limitados do presidente, adotando um papel mais "intervencionista".
Falta de união da direita e perspectivas futuras
Após obter 23,5% dos votos no primeiro turno, contra 31,1% de Seguro, Ventura não conseguiu realizar sua ambição de unir a direita para o segundo turno. O cientista político Adelino Maltez comentou: "Parece que a sociedade quer preservar essa ordem democrática e constitucional, enquanto Ventura é uma ameaça ao equilíbrio entre centro-esquerda e centro-direita."
Maltez acrescentou que, mesmo em caso de derrota, qualquer avanço percentual de Ventura, especialmente se ele dominar a aliança governante, pode ser visto como uma vitória simbólica para sua campanha. Cerca de dois terços dos entrevistados em pesquisas afirmam que nunca votariam em Ventura, destacando a polarização e os desafios políticos em Portugal.
As eleições deste domingo marcam um capítulo significativo na política europeia, com Portugal seguindo tendências observadas em outros países, onde forças moderadas se unem para conter o avanço de movimentos extremistas.