Venezuela: Polícia dispara contra drones perto do Palácio de Miraflores em Caracas
Polícia dispara contra drones perto de palácio na Venezuela

As forças de segurança da Venezuela abriram fogo para repelir drones que sobrevoavam sem autorização a área do Palácio de Miraflores, sede da Presidência em Caracas, na noite desta segunda-feira (5). O incidente ocorreu por volta das 20h (horário local), 21h em Brasília, e foi confirmado por uma fonte oficial à imprensa internacional.

Detalhes do incidente com drones

O episódio aconteceu pouco mais de 48 horas após a captura do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, por tropas dos Estados Unidos, no sábado (3), marcando um novo momento de tensão na capital. A fonte oficial, citada pela agência France-Presse (AFP), descreveu a ação como uma medida preventiva. “O que aconteceu no centro de Caracas foi a presença de drones que sobrevoaram a região sem autorização. A polícia efetuou disparos para impedir a aproximação. Não houve qualquer confronto”, afirmou a fonte, garantindo que o país permanece em “perfeita tranquilidade”.

Um morador que vive a cerca de cinco quarteirões do palácio presidencial relatou à AFP ter ouvido sons semelhantes a detonações. “Pareciam explosões, bem próximas. Não eram tão altas quanto as do ataque de sábado”, disse ele, sob condição de anonimato. O testemunho acrescenta: “A primeira coisa que pensei foi verificar se havia aviões sobrevoando o bairro, mas não havia. Só vi duas luzes vermelhas no céu. Durou cerca de um minuto. As pessoas ficaram olhando pelas janelas para tentar entender o que estava acontecendo.”

Repercussões e cenário pós-captura de Maduro

Vídeos que circularam nas redes sociais mostram o que aparentam ser balas traçantes sendo disparadas em direção ao céu, com sua trajetória pirotécnica claramente visível, contra alvos que não aparecem nas imagens. As gravações também evidenciam uma movimentação intensa de várias forças de segurança no entorno do palácio presidencial.

O contexto imediato do fato é a operação militar norte-americana de sábado, qualificada pelos EUA como um ataque em grande escala para capturar e julgar Maduro e sua esposa. Os Estados Unidos anunciaram que administrarão o país até a conclusão de uma transição de poder. Na segunda-feira, Nicolás Maduro e a mulher prestaram breves depoimentos em um tribunal de Nova York, onde respondem a acusações de tráfico de drogas, corrupção e lavagem de dinheiro. Ambos se declararam inocentes, e a próxima audiência foi marcada para 17 de março.

Novo governo e reações internacionais

Internamente, a vice-presidente executiva, Delcy Rodríguez, assumiu a Presidência interina da Venezuela com o apoio das Forças Armadas. No plano externo, a ofensiva norte-americana dividiu as reações entre governos. Enquanto alguns criticaram o ataque a Caracas, outros se manifestaram favoráveis à queda de Maduro.

A União Europeia defendeu que qualquer transição política no país deve incluir líderes da oposição, como María Corina Machado e Edmundo González. Já o secretário-geral da ONU, António Guterres, alertou para as implicações preocupantes da ação militar dos EUA para a região, destacando o risco de intensificação da instabilidade interna na Venezuela. O filho de Maduro, em abertura da Assembleia, declarou: 'A pátria está em boas mãos, pai', reforçando a linha de sucessão dentro do chavismo.