O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, fez uma revelação impactante nesta sexta-feira, 9 de janeiro de 2026. Em entrevista exclusiva ao jornal espanhol El País, o mandatário admitiu que temeu ser capturado pelos Estados Unidos, seguindo o mesmo destino do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, sequestrado no último final de semana.
O Medo de um Destino Venezuelano
Ao ser questionado se temia um desfecho igual ao do líder vizinho, Petro respondeu "sem dúvidas". Ele expandiu sua visão, afirmando que Nicolás Maduro ou qualquer presidente do mundo pode ser removido do poder se não se alinhar com certos interesses. A declaração expõe a percepção de risco que paira sobre líderes latino-americanos em um cenário geopolítico tenso.
A Conversa que "Amenizou" a Tensão com Trump
No entanto, Petro acredita que o clima de confronto com os Estados Unidos pode ter se acalmado após um telefonema direto com o presidente americano, Donald Trump, na quarta-feira, 7 de janeiro. A conversa, segundo o colombiano, foi franca e alarmante. Trump teria dito a Petro que "estava pensando em fazer coisas ruins na Colômbia".
"A mensagem [de Trump] era que eles já estavam preparando algo, planejando uma operação militar", revelou o presidente. Após esse diálogo direto, Petro avalia que as ameaças parecem ter se "congelado", mas faz uma ressalva crucial: ele pode estar equivocado em sua avaliação.
Defesa Popular e a Crise Venezuelana
Apesar do medo confessado de um ataque, Petro afirmou que não reforçou sua segurança pessoal ou as defesas nacionais. Ele justificou que a Colômbia não possui defesa aérea, pois seus conflitos históricos são internos, contra guerrilhas que não dispõem de caças. "Sua única defesa", ressaltou, "é seu povo".
"O que usamos aqui é a defesa popular e é por isso que convoquei a resistência popular na quarta-feira", declarou, referindo-se a um chamado feito após a conversa com Trump.
Sobre a Venezuela, Petro comentou sua recente conversa com a presidente interina Delcy Rodríguez, que assumiu após a captura de Maduro em 3 de janeiro. Ele a descreve como uma amiga sob forte pressão interna e externa, acusada de traição. Para Petro, a principal tarefa do governo venezuelano deve ser unir seu povo dividido, sob risco de "colonização".
Curiosamente, o presidente colombiano afirmou que sua posição para uma solução na Venezuela não é tão diferente da defendida pelos EUA, citando a ideia de uma transição para eleições livres e um governo compartilhado, proposta anteriormente pelo secretário de Estado Marco Rubio. A condição, porém, é fundamental: "Não pode ser imposta de fora, deve surgir do diálogo venezuelano". O papel dos Estados Unidos e da América Latina, concluiu, deve ser o de facilitar esse diálogo.