O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) emitiu um comunicado contundente neste início de janeiro de 2026, posicionando-se firmemente ao lado do governo venezuelano de Nicolás Maduro. A declaração é uma resposta direta à operação militar conduzida pelos Estados Unidos no fim de semana, que resultou na captura do líder venezuelano e em bombardeios em diversos pontos do país.
Condenação à Ação Militar Norte-Americana
Em texto divulgado na segunda-feira, dia 5 de janeiro, o movimento classifica a ação ordenada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, como um "sequestro" e um "ataque criminoso do imperialismo estadunidense". O MST não poupou críticas à administração norte-americana, afirmando que reafirma sua solidariedade ao povo venezuelano e denuncia o governo Trump por seus "atos de guerra".
O movimento, que é detentor de milhares de hectares de terras agriculturáveis na Venezuela, segundo a própria nota, foi incisivo ao analisar os motivos por trás da intervenção. "O ataque deste sábado é uma ação de guerra e de saque", afirma o comunicado. O texto segue argumentando que os sequestros de navios petroleiros venezuelanos nas semanas anteriores já evidenciariam o verdadeiro interesse da Casa Branca.
Trump é Chamado de "Maior Pirata da Atualidade"
A linguagem utilizada pelo MST, liderado por João Pedro Stedile, foi particularmente dura ao se referir ao mandatário norte-americano. O movimento acusa Donald Trump de ter "se tornado o maior pirata da atualidade" ao coordenar ações militares que, segundo eles, miram abertamente as vastas reservas de petróleo venezuelanas.
"Os sequestros de navios petroleiros nas últimas semanas evidenciaram que o único interesse dos EUA não é por 'democracia' ou 'liberdade', mas por petróleo", diz o texto. E completa: "Trump se tornou o maior pirata da atualidade. Não suficiente, também sequestraram o presidente Nicolás Maduro".
Segurança dos Militantes e Consequências
Preocupado com seus membros atuantes no país, o MST também informou sobre a situação de seus integrantes. O movimento garantiu que estudantes, militantes e dirigentes que cumprem tarefas na Venezuela estão em segurança, em locais que não foram atingidos pelos ataques.
A posição do MST coloca o movimento no centro de um dos maiores conflitos geopolíticos do momento, reforçando seu histórico de alinhamento com governos de esquerda na América Latina e sua postura crítica em relação à política externa dos Estados Unidos para a região. A defesa de Maduro ocorre no contexto de uma operação militar sem precedentes, que alterou drasticamente o cenário político venezuelano e gerou reações internacionais acaloradas.