Lula sugere a Trump que 'Conselho da Paz' atue apenas na Faixa de Gaza
Em conversa com o ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump, o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva propôs que o chamado "Conselho da Paz" limite suas atividades exclusivamente à Faixa de Gaza. A sugestão ocorre às vésperas da primeira reunião oficial do grupo, que acontece nesta quinta-feira (19) nos Estados Unidos com delegações de mais de 20 países.
Reunião histórica e anúncios importantes
Durante o encontro, Donald Trump deve fazer dois anúncios significativos:
- Envio de tropas internacionais para atuar como força de estabilização na Faixa de Gaza, com autorização da ONU
- Criação de um fundo de US$ 5 bilhões para iniciar a reconstrução do território palestino
As tropas, compostas por soldados de vários países, devem chegar à região nos próximos meses. Autoridades não confirmaram números exatos, mas indicaram que milhares de militares participarão da missão. A principal preocupação da operação será o desarmamento do grupo terrorista Hamas, que resiste a entregar suas armas.
Origem e objetivos do Conselho da Paz
O Conselho da Paz foi criado com o objetivo específico de ajudar na estabilização de Gaza após o cessar-fogo entre Israel e o Hamas. No entanto, há preocupações internacionais de que o órgão possa tentar expandir sua atuação para outros conflitos globais, funcionando como uma espécie de "ONU paralela".
O fundo de reconstrução de US$ 5 bilhões foi obtido através de contribuições voluntárias dos países participantes do conselho. Uma autoridade ouvida pela Reuters classificou as ofertas como "generosas" e destacou que os Estados Unidos não fizeram pedidos explícitos de doações. "As pessoas vieram até nós oferecendo", afirmou a fonte.
Posicionamento internacional diversificado
O Brasil recebeu convite para integrar o Conselho da Paz, mas ainda não deu resposta oficial. Trump estabeleceu a condição de pagamento de US$ 1 bilhão para garantir um assento permanente no grupo.
Entre os países que já aderiram ao conselho estão:
- Potências regionais do Oriente Médio como Turquia, Egito, Arábia Saudita e Catar
- Nações latino-americanas como Argentina e Paraguai
Entretanto, nações europeias e aliados ocidentais tradicionais dos Estados Unidos adotaram postura mais cautelosa. O Vaticano anunciou formalmente que não integraria o grupo, com o cardeal Pietro Parolin, principal autoridade diplomática da Santa Sé, defendendo que esforços para lidar com crises devem ser gerenciados exclusivamente pelas Nações Unidas.
Plano de reconstrução ambicioso
Durante o lançamento do Conselho da Paz em janeiro, Trump apresentou um plano detalhado para a reconstrução de Gaza que inclui:
- Divisão do território em áreas residenciais, industriais e turísticas
- Construção de 180 arranha-céus ao longo de toda a faixa litorânea voltados ao turismo
- 100 mil unidades habitacionais em Rafah, no sul da Faixa de Gaza, na fronteira com o Egito
Jared Kushner, conselheiro e genro de Trump, explicou que "a prioridade número um será a segurança, obviamente" e que estão "trabalhando em estreita colaboração com os israelenses para encontrar uma maneira de reduzir a tensão".
Reações e controvérsias
A decisão do Vaticano de não participar da iniciativa foi classificada pela porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, como "profundamente lamentável". A postura do Vaticano reflete preocupações mais amplas na comunidade internacional sobre a criação de estruturas paralelas às Nações Unidas para resolver conflitos globais.
A reunião desta quinta-feira marca um momento crucial nas relações internacionais, com países adotando posições distintas sobre a melhor forma de abordar a complexa situação na Faixa de Gaza e a relação entre Israel e o Hamas.



