Acostumado aos mais luxuosos aposentos que o dinheiro pode comprar, o banqueiro Daniel Vorcaro viu-se, há dois meses, numa cela simples da carceragem da Polícia Federal em Brasília. Já era um avanço, dado o fato de que o dono do Master estava confinado numa penitenciária de segurança máxima, antes de decidir delatar.
A suposta disposição em colaborar com as investigações levou o banqueiro a conseguir um upgrade nos aposentos da PF. Em vez da cela simples, ganhou uma sala com cama box, ar-condicionado, televisão e até banheiro. Um luxo digno de delatores que entregam comparsas.
Depois de passar semanas com a rotina tranquila para conversar com advogados e apresentar sua proposta de delação, o banqueiro voltou nesta semana para o lado “pé duro” da prisão.
Fim das regalias
Fazia parte do pacote, mas ninguém deve ter contado a Vorcaro sobre o fim da estadia de primeira classe na PF, caso ele entregasse uma delação capenga. Se tivesse delatado para valer, ficaria mais tempo no lado mais confortável da prisão. Como decidiu enganar os investigadores, foi devolvido ao lugar dos menos afortunados e será denunciado pelos investigadores sem acordo, segundo fontes do caso Master na PF.
Contexto da prisão
O relaxamento da prisão de Vorcaro, com mais tempo para advogados, foi pedido pela PF e concedido pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal. Fazia parte do jogo. O dono do Master desperdiçou o tempo que teve livre e entregou um acordo abaixo de suas possibilidades. Deu no que deu.
O caso Master continua gerando repercussão em Brasília, especialmente pelos segredos que Vorcaro supostamente detinha e que poderiam envolver figuras políticas.



