O presidente Luiz Inácio Lula da Silva comentou, nesta quinta-feira (7), o pedido de mudança do protocolo durante o encontro com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em Washington. Mais cedo, o brasileiro solicitou que os dois se reunissem a portas fechadas antes de falarem com a imprensa. A coletiva conjunta foi cancelada após o encontro de mais de três horas.
Lula explica decisão
“Primeiro, quando vim para cá, eu disse que não iria conversar com a imprensa antes da reunião, não tem sentido”, afirmou em entrevista na embaixada após deixar a Casa Branca. “Eu venho para discutir assunto, como é que você vai fazer uma entrevista coletiva antes de você discutir?”, questionou. “Nem eu, nem o presidente Trump precisamos de fotografia. E não precisamos inventar nada para a imprensa”, disse.
Desconforto anterior
O pedido foi feito após um desconforto do presidente brasileiro no último encontro entre os líderes, na Malásia. Lula achava melhor falar com a imprensa após a conversa formal entre os dois. A informação foi confirmada pelo secretário de Imprensa, Lércio Portela Delgado.
Orientação à imprensa
Por conta da mudança na programação, a equipe da Casa Branca orientou aos jornalistas que aguardavam para registrar o encontro no Salão Oval a se sentarem, segundo a correspondente da Globo em Washington, Raquel Krähenbühl. “Ainda não é hora de se alinhar. Nós chamaremos quando for o momento de reunir, não há necessidade de formar fila agora”. Mais tarde, o atendimento à imprensa foi cancelado.
Repórteres aguardaram na sala de imprensa para saber se teriam permissão para entrar no Salão Oval para o encontro entre Trump e Lula.
Encontro sem “aperto de mão de urso”
Em vídeo divulgado pelo governo norte-americano, é possível ver o momento em que Trump recebe Lula. Os dois trocam um aperto de mão e o presidente norte-americano pergunta como Lula está. Segundo apuração da jornalista Raquel Krähenbühl, da TV Globo, o encontro foi uma “visita de trabalho”, formato menos formal do que uma reunião bilateral tradicional.
Contexto da reunião
A reunião é vista como um passo para normalizar as relações comerciais entre os dois países, após os EUA aplicarem tarifas contra produtos brasileiros e sanções contra autoridades nacionais. Esta foi a segunda reunião presencial entre Lula e Trump. Em outubro, os dois se encontraram durante um evento na Malásia. Um mês antes, conversaram rapidamente durante a Assembleia Geral da ONU. Antes do encontro, Lula e Trump falaram por telefone na sexta-feira (1º). O governo brasileiro disse que a conversa foi “amistosa”.
Temas discutidos
Pelo menos cinco temas centralizaram as conversas:
- Classificação de facções: Pressão dos EUA para classificar facções brasileiras, como PCC e Comando Vermelho, como organizações terroristas. O governo brasileiro tenta convencer os norte-americanos de que o combate ao crime organizado deve ocorrer por meio de cooperação bilateral.
- PIX: Os EUA investigam possíveis impactos do sistema brasileiro sobre empresas americanas de pagamentos eletrônicos. O governo Lula defende que o PIX não discrimina companhias estrangeiras.
- Questões internacionais: Divergências sobre Venezuela, Irã e o papel dos EUA em conflitos globais. Lula defende maior fortalecimento da ONU.
- Minerais críticos e terras raras: Considerados estratégicos para tecnologia e transição energética.
- Ativo político: Lula busca compromisso informal de não interferência dos EUA nas eleições brasileiras de outubro e reforçar sua imagem de liderança internacional.
O presidente brasileiro gesticulava enquanto falava com repórteres após a reunião na Embaixada do Brasil em Washington.



