Lula diz que não discutiu com Trump designação de CV e PCC como terroristas
Lula nega discussão sobre CV e PCC com Trump

O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), afirmou que não discutiu com o presidente americano, Donald Trump, a possível designação do Comando Vermelho (CV) e do Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas. A declaração foi dada após reunião na Casa Branca, em Washington.

Encontro na Casa Branca

Questionado pela Folha de S.Paulo, Lula foi direto: "Não foi discutido isso". No entanto, o presidente brasileiro revelou que os dois líderes abordaram temas considerados tabus, como o combate ao crime organizado e ao narcotráfico. Lula defendeu que a repressão isolada não resolve o problema da produção de drogas na América Latina e sugeriu a criação de alternativas econômicas para os países produtores.

"Como você vai fazer um país deixar de produzir coca se você não oferece uma alternativa de produto para que alguém possa plantar e ganhar dinheiro?", questionou Lula. Ele propôs a formação de um grupo internacional de combate ao crime organizado, com a participação de países da América Latina e, possivelmente, de outras nações.

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Base em Manaus

Lula mencionou a criação de uma base na cidade de Manaus para combater o crime organizado, o tráfico de armas e de drogas na fronteira brasileira, com a participação de delegados de polícia de todos os países da América do Sul. "Se os EUA quiserem compartilhar e participar conosco, estarão convidados", afirmou.

O governo brasileiro tenta evitar a mudança na designação do CV e do PCC, pois avalia que isso abriria brecha legal para intervenções dos EUA em território brasileiro, conforme mostrou a Folha de S.Paulo.

Reações nas redes sociais

Em suas redes sociais, Trump escreveu que o encontro correu "muito bem" e que os líderes discutiram vários assuntos, incluindo comércio e tarifas. O republicano não mencionou debates relacionados ao crime organizado. Já Lula afirmou que a reunião marcou "um passo importante" para fortalecer a relação histórica entre os dois países e defender o multilateralismo diante das tensões comerciais globais.

"Saio daqui com a ideia de que nós demos um passo importante na consolidação da relação democrática histórica que o Brasil tem com os EUA", declarou o presidente.

Relações bilaterais

Lula ressaltou que Brasil e EUA são "as duas maiores democracias do hemisfério" e que a boa relação entre os países pode servir de exemplo internacional. Ele também criticou a perda de interesse de Washington pela América Latina nas últimas décadas, afirmando que os EUA passaram a olhar a região principalmente sob a ótica do combate ao narcotráfico, enquanto deixaram de ampliar investimentos e parcerias econômicas.

"É importante que os EUA voltem a ter interesse nas coisas do Brasil", disse Lula, citando licitações internacionais para rodovias e ferrovias das quais os EUA não participam, ao contrário dos chineses.

Outros temas

Lula afirmou que os dois conversaram sobre terras raras e tarifas, mas não chegaram a falar sobre o PIX, alvo de investigação comercial nos EUA. Ele também brincou com Trump em relação aos vistos na Copa do Mundo: "Espero que você não venha anular o visto dos jogadores brasileiros. Vamos vir aqui para ganhar. Ele riu".

O chanceler brasileiro, Mauro Vieira, também avaliou a reunião como positiva. Ele disse que os presidentes discutiram as investigações da Seção 301, abertas pelo governo Trump contra o Brasil, e concordaram em voltar a se reunir nos próximos 30 dias para reavaliar o tema das tarifas.

Histórico de visitas

Esta foi a sexta visita de Lula à sede do governo americano, sendo a primeira sob Trump. Em mandatos anteriores, Lula visitou a Casa Branca em 2002 (como eleito), 2003, 2008 (com George Bush), 2009 (com Barack Obama) e 2023 (com Joe Biden).

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