Lula alerta sobre risco de colonização e critica passividade da ONU em discurso na Colômbia
Lula alerta sobre colonização e critica ONU em discurso

Presidente brasileiro faz alerta contundente sobre ameaças externas em fórum internacional

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva emitiu um alerta severo neste sábado, 21 de março de 2026, sobre o risco de novas formas de colonização e interferência estrangeira em assuntos soberanos de nações latino-americanas e africanas. Durante seu discurso na Cúpula da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos com a África (Celac-África), realizada em Bogotá, na Colômbia, o mandatário brasileiro expressou preocupação com ações militares e econômicas que ameaçam a integridade territorial dos países.

Críticas diretas à inação das organizações internacionais

Com palavras firmes, Lula declarou: "Querem nos colonizar outra vez", sem citar nominalmente nenhuma nação, mas em claro contexto de tensões geopolíticas recentes. Ele complementou: "Não podemos permitir que alguém possa interferir nos assuntos e na integridade territorial de nossos países", reforçando a defesa da soberania nacional como princípio inegociável.

O presidente também manifestou "indignação com a passividade" dos membros do Conselho de Segurança das Nações Unidas, acusando o órgão de incapacidade para resolver conflitos globais, como a guerra na Ucrânia e os confrontos em Gaza. Em um gesto simbólico, bateu na mesa ao criticar as "mentiras que servem para justificar a destruição e as guerras".

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Contexto de tensões internacionais e posicionamento do Brasil

Lula tem se posicionado como crítico aberto de ações militares dos Estados Unidos, especialmente:

  • Ataques na Venezuela que resultaram na captura de Nicolás Maduro em janeiro
  • Ofensivas contra o Irã que desencadearam conflitos no Oriente Médio
  • Operações contra supostas narcolanchas no Pacífico e Caribe, com mais de 150 mortos desde setembro

O presidente classificou a ação de Washington na Venezuela como "não democrática" e destacou a necessidade de fortalecer a cooperação em defesa com países como a África do Sul, ante possíveis ameaças externas ao Brasil.

Interesses econômicos e recursos estratégicos

Em outro ponto relevante do discurso, Lula alertou sobre interesses estrangeiros em "ser donos" dos minerais críticos presentes na América Latina, essenciais para a fabricação de dispositivos tecnológicos. Esta observação ganha peso considerando que:

  1. O Brasil possui as segundas maiores reservas mundiais de terras raras, atrás apenas da China
  2. Estados Unidos firmaram recentemente acordos com Argentina e México para diversificar o abastecimento desses metais
  3. O mercado de minerais estratégicos é amplamente dominado pelo gigante asiático

Relações diplomáticas complexas e cenário político

A postura de Lula reflete uma relação tensa com seu homólogo americano, Donald Trump, aliado do ex-presidente brasileiro Jair Bolsonaro, condenado por tentativa de golpe. Esta dinâmica influencia diretamente o posicionamento do Brasil em fóruns multilaterais e sua defesa de uma ordem internacional mais equilibrada.

O discurso na Celac-África marca um momento significativo na política externa brasileira, reafirmando o compromisso com a autodeterminação dos povos e a crítica a intervenções unilaterais. A cúpula em Bogotá serve como plataforma para fortalecer laços entre América Latina e África, regiões que historicamente enfrentaram processos coloniais e buscam maior autonomia no cenário global.

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