O Irã enfrenta uma nova e intensa onda de protestos, impulsionada por uma grave crise econômica e inflacionária, que levou o líder supremo do país, o aiatolá Ali Khamenei, a fazer duras acusações e ameaças. Em discurso, Khamenei classificou os manifestantes como "mercenários a serviço de estrangeiros" e os vinculou diretamente ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Acusações e ameaças em meio à crise econômica
Os protestos, que ganharam força a partir do dia 28 de dezembro, têm como pano de fundo o colapso da moeda nacional. O rial iraniano atingiu uma baixa histórica, sendo cotado a 1,4 milhão por dólar em dezembro, corroendo o poder de compra da população. Em resposta à mobilização popular, que incluiu bloqueios de ruas e pedidos de intervenção internacional, Khamenei adotou um tom beligerante.
"A República Islâmica chegou ao poder com o sangue de centenas de milhares de pessoas honradas. Ela não recuará diante de vândalos que buscam nos destruir", declarou o líder. Ele foi além e direcionou suas críticas a Trump: "Há alguns agitadores que querem agradar o presidente americano... Apelo urgentemente a Trump para que se concentre nos problemas de seu próprio país".
Ameaça de intervenção e repressão violenta
As declarações de Khamenei foram uma resposta direta às ameaças feitas por Donald Trump. Na semana passada, o presidente americano alertou que, se o governo iraniano "matar violentamente manifestantes pacíficos", os Estados Unidos "irão em seu socorro". Em entrevista à Fox News na quinta-feira, 8 de janeiro, Trump reforçou o aviso, dizendo que Teerã foi alertado de que "terão que pagar caro" por uma repressão violenta.
Enquanto os líderes trocam acusações, a situação no terreno é grave. Segundo a agência Human Rights Activists News Agency, com sede nos EUA, pelo menos 42 pessoas foram mortas em episódios de violência ligados aos protestos, e mais de 2.270 foram detidas. Para tentar conter a disseminação de informações, as autoridades iranianas bloquearam o acesso à internet em várias partes do país.
Chamado do exilado e futuro incerto
O movimento ganhou um símbolo adicional com o chamado do príncipe herdeiro exilado, Reza Pahlavi. Na noite de quinta-feira, manifestantes atenderam ao seu apelo e marcharam em Teerã e outras cidades. Vídeos compartilhados por ativistas mostravam multidões gritando "Morte ao ditador" e "Esta é a última batalha, Pahlavi retornará", em meio a destroços e fogueiras nas ruas.
Analistas apontam que, embora os protestos atuais ainda não tenham atingido a escala massiva dos de 2022, o regime se encontra em uma posição mais frágil. A combinação de crise econômica profunda, sanções internacionais redobradas e as sequelas da guerra do ano passado com Israel e EUA criam um cenário de alta tensão. O futuro imediato do Irã parece depender do desenrolar deste confronto entre a rua, o poder clerical em Teerã e a pressão vinda de Washington.