As forças de segurança do Irã reprimiram com violência um protesto pacífico no emblemático Grande Bazar de Teerã nesta terça-feira, 6 de janeiro de 2026. O episódio marca o décimo dia de uma onda de manifestações que varre o país, motivada pelo agravamento da crise econômica e pela queda vertiginosa do poder de compra da população.
Confrontos e repressão em local histórico
Imagens amplamente divulgadas nas redes sociais mostram agentes do Estado lançando gás lacrimogêneo contra os manifestantes para dispersar a concentração. O local do confronto carrega um peso simbólico enorme, pois foi um centro nervoso do ativismo durante a Revolução Iraniana de 1979.
O saldo da repressão desde o início dos protestos é grave: pelo menos 35 pessoas foram mortas e mais de 1.200 foram presas em confrontos com as forças de segurança. A violência não se limitou às ruas. Relatos e vídeos verificados indicam que agentes com equipamento anti-motim invadiram um hospital na província de Illam, no oeste do Irã, para capturar manifestantes feridos.
Condenação internacional e crise econômica profunda
Os métodos repressivos despertaram a condenação da comunidade internacional. O Departamento de Estado dos Estados Unidos citou nominalmente a invasão ao hospital, classificando o ato de "atacar feridos com gás lacrimogêneo e munição" como um claro crime contra a humanidade.
Enquanto isso, a raiz do mal-estar social só se aprofunda. A moeda iraniana, o rial, atingiu uma mínima histórica, sendo cotada a 1,46 por dólar americano. O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, admitiu que a situação econômica está fora do controle do governo e que qualquer intervenção estatal para aliviar a pressão pode piorar a inflação descontrolada.
Discurso oficial e ameaça de Trump
Apesar da violência, a liderança iraniana tenta equilibrar o discurso. O líder supremo, aiatolá Ali Khamenei, reconheceu no sábado, 3 de janeiro, que as reivindicações dos manifestantes são legítimas. No entanto, prometeu conter o que chamou de "arruaceiros", que precisariam ser "colocados em seus devidos lugares".
O cenário de tensão ganhou um componente internacional explosivo com a declaração do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Ele advertiu que pode intervir diretamente no Irã caso o governo local mate manifestantes. A ameaça, recebida com indignação por Teerã, soou ainda mais real após a captura do ditador venezuelano Nicolás Maduro por militares americanos no fim de semana anterior.
Os protestos, longe de arrefecerem, continuam a se espalhar. Dados da agência de notícias Human Rights Activists News Agency (HRNA) indicam que 88 cidades e pelo menos 257 locais em todo o Irã já foram palco de manifestações. O movimento, que começou como um grito de desespero econômico, se transformou em um teste de força significativo para o regime iraniano.