O regime teocrático do Irã elevou a um novo patamar a repressão contra manifestantes que tomam as ruas do país há duas semanas. Neste sábado, a situação atingiu um nível de brutalidade sem precedentes nos últimos anos, com relatos de que mais de 200 pessoas já foram mortas pelas forças de segurança. A informação foi divulgada pela agência de notícias Associated Press (AP).
Repressão violenta e corte de comunicações
As forças do regime, comandado com mão de ferro pelo aiatolá Ali Khamenei, não estão poupando esforços para sufocar os protestos. Munição real está sendo utilizada contra a população que ousa desafiar o governo nas ruas, principalmente durante os atos noturnos. Qualquer pessoa que participe das marchas é considerada pelo regime como "inimiga de Deus", acusada de trair a nação e buscar "dominação estrangeira", um crime passível de pena de morte.
Paralelamente à violência física, o governo iraniano decretou um blecaute digital e de comunicações. Na última quinta-feira, por volta das 20h, o acesso à internet foi completamente cortado para os mais de 85 milhões de habitantes do país. A medida, um claro esforço para isolar os iranianos e impedir a divulgação das atrocidades para o mundo, também atingiu a telefonia. Além disso, cortes de energia elétrica foram impostos em várias regiões, forçando muitos protestos a ocorrerem na escuridão total.
Isolamento e crise econômica
O bloqueio total das comunicações serve a um duplo propósito para o regime autocrático. Primeiro, impede que imagens e vídeos da violenta repressão circulem internamente e ganhem o mundo, dificultando a organização dos protestos. Segundo, esconde a real extensão da crise econômica que assola o país, cujas raízes estão na incompetência administrativa dos aiatolás.
Os protestos atuais começaram há duas semanas, inicialmente liderados por comerciantes insatisfeitos com a grave situação econômica. A escalada, no entanto, rapidamente ganhou um caráter político mais amplo, representando um dos momentos de maior desafio ao governo desde a Revolução Islâmica de 1979.
Protestos na escuridão e sem voz
Com a internet e os telefones cortados, os iranianos estão completamente isolados. Familiares e amigos não conseguem se comunicar entre si ou com o exterior. A internet, que antes era uma ferramenta crucial para burlar a censura através de redes privadas virtuais (VPNs), agora está inacessível. O regime conseguiu, momentaneamente, criar um muro de silêncio em torno do país.
Esta crise evidencia a fragilidade de um governo que, para se manter no poder, recorre ao isolamento total de sua população e ao uso da força letal. A comunidade internacional observa com preocupação, enquanto o povo iraniano protesta nas sombras, pagando um preço altíssimo por exigir mudanças.