Investigação no Congresso americano mira possível movimentação financeira de secretário de Defesa
Uma nova investigação foi aberta por congressistas democratas dos Estados Unidos para apurar se o secretário de Defesa, Pete Hegseth, tentou realizar um investimento multimilionário em ações do setor de defesa pouco antes do início da guerra contra o Irã. A informação foi confirmada por veículos de imprensa americanos como Forbes e a agência de notícias Bloomberg nesta quinta-feira, 2 de abril de 2026.
Reportagem do Financial Times acendeu o alerta
A ação no Senado americano ocorre após uma reportagem do jornal Financial Times apontar que, em fevereiro, o corretor de Hegseth no banco Morgan Stanley teria procurado a BlackRock, uma das principais empresas de gestão de ativos e investimentos do mundo. O objetivo seria discutir a aplicação no fundo Defense Industrials Active ETF, que busca oportunidades de crescimento investindo em empresas que podem se beneficiar do aumento dos gastos governamentais com defesa e segurança.
Segundo a descrição da própria gestora, o fundo em questão, com cerca de US$ 3,2 bilhões em ativos e negociado sob o código IDEF, opera em meio à fragmentação geopolítica e à competição econômica. A movimentação teria acontecido semanas antes da ofensiva militar conduzida pelos Estados Unidos em conjunto com Israel contra o Irã.
Pentágono reage com veemência às acusações
O Pentágono negou categoricamente as informações e classificou o caso como "totalmente falso e fabricado". Em uma publicação nas redes sociais, Sean Parnell, principal porta-voz do Pentágono, escreveu: "Nem o secretário Hegseth nem qualquer um de seus representantes procurou a BlackRock para qualquer investimento desse tipo. Este é mais um ataque infundado e desonesto, concebido para induzir o público ao erro. Exigimos uma retratação imediata".
Parnell ainda reforçou que "o secretário Hegseth e o Departamento de Guerra permanecem firmes em seu compromisso com os mais altos padrões éticos e com a estrita observância de todas as leis".
Detalhes da investigação parlamentar
Uma investigação sobre o caso já havia sido lançada pelos democratas do Comitê de Supervisão da Câmara após a reportagem do Financial Times. Em comunicado dirigido a Hegseth, os parlamentares escreveram: "Tentar lucrar com uma guerra que você ajudou a usar informações privilegiadas é chocante e ultrajante, mesmo para os padrões da Administração Trump".
Os democratas pediram que o secretário de Defesa entregue as informações sobre seus investimentos financeiros ao comitê até 14 de abril. Segundo o jornal, a consulta foi registrada internamente pela BlackRock devido ao perfil do potencial cliente, mas o investimento não foi concretizado porque o fundo não estava disponível para clientes da Morgan Stanley naquele momento.
O caso levanta questões sobre possíveis conflitos de interesse e o uso de informações privilegiadas em meio a tensões geopolíticas significativas. A investigação parlamentar promete examinar minuciosamente as movimentações financeiras e as comunicações envolvendo o secretário de Defesa e suas conexões com o setor de investimentos em defesa.



