Alta Expressiva no Querosene de Aviação Acende Alerta no Setor Aéreo e na Economia
A forte alta do querosene de aviação, com um reajuste de 55% anunciado pela Petrobras, está gerando preocupações significativas no setor aéreo e nas projeções de inflação para o ano de 2026. Esse movimento, que foge do padrão histórico, reflete principalmente o avanço do petróleo no mercado internacional, segundo análises de especialistas.
Reajuste Inevitável para Alinhar Preços Globais
Frederico Zornig, CEO da Quantic Express Solutions, observa que o aumento foi inevitável após meses de preços represados. Na avaliação dele, a estatal ajustou o combustível para alinhá-lo aos valores globais e recompor a defasagem acumulada. O executivo destaca que a questão vai além do repasse imediato, pois manter preços artificialmente baixos poderia afastar importadores e até gerar risco de desabastecimento.
Sem um preço competitivo, o produto deixa de entrar no país, tornando o mercado doméstico mais vulnerável a interrupções. Portanto, o reajuste também serve para manter a concorrência e garantir a oferta, conforme explicado por Zornig.
Impacto Direto no Bolso do Consumidor e na Inflação
O impacto mais direto deve aparecer no bolso do consumidor, com estimativas de que as passagens aéreas podem subir entre 20% e 30%. Isso ocorre porque o combustível representa cerca de 30% das despesas operacionais das empresas aéreas, tornando o setor extremamente sensível a oscilações do petróleo. Mesmo com o reajuste parcelado, a tendência é de repasses graduais ao longo dos próximos meses.
Marianna Costa, economista-chefe da Mirae Asset, avalia que o querosene de aviação é um dos preços mais difíceis de conter. Ela aponta que as passagens já vieram acima do esperado e pressionam as projeções inflacionárias para 2026, que se aproximam de 4%. Embora o QAV não entre diretamente no índice oficial de preços, o impacto ocorre via transporte aéreo, com efeito estimado entre 0,1 e 0,2 ponto percentual na inflação.
Efeito Cascata em Outros Setores e Comportamento do Consumidor
Além da inflação, há reflexos sobre o comportamento do consumidor e a atividade econômica. Passagens mais caras tendem a reduzir a demanda por voos, levando parte dos passageiros a buscar alternativas, como o transporte rodoviário. O efeito cascata também atinge setores que dependem do modal aéreo, incluindo:
- Empresas que utilizam aviões para transporte de cargas
- Compras on-line, que podem ser afetadas por custos logísticos mais altos
- Atividades turísticas e comerciais ligadas a viagens aéreas
A intensidade desse movimento dependerá da duração do conflito internacional e da permanência do petróleo em níveis elevados, conforme destacado pelos especialistas. Essa situação ilustra como oscilações em commodities podem ter repercussões amplas na economia brasileira, afetando desde o transporte até os hábitos de consumo da população.



