Sul da Flórida: Como Miami e Palm Beach comandam a política externa de Trump
Influência do sul da Flórida no governo Trump

O sul do estado da Flórida consolidou-se como um epicentro decisivo para a política externa durante o segundo mandato do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. De ordens militares a negociações de paz, a região, com sua forte influência de comunidades de imigrantes, tem moldado ações de alcance global.

Palm Beach e Miami: Quartel-General das Decisões

Foi de seu resort em Palm Beach que Donald Trump autorizou a operação que resultou na captura e prisão do então presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, no sábado, 3 de janeiro de 2026. O evento marcante é apenas a ponta do iceberg da influência geográfica.

Em novembro de 2025, durante o feriado de Ação de Graças, o enviado especial americano para o Oriente Médio, Steve Witkoff, conduziu negociações com autoridades russas e ucranianas em um campo de golfe próximo a Fort Lauderdale. Um mês antes, nas mansões de Miami, Witkoff e o genro de Trump, Jared Kushner, foram os mediadores de um acordo de cessar-fogo entre Israel e o grupo palestino Hamas, que entrou em vigor após dois anos de conflito.

A agenda internacional da região seguirá movimentada: em dezembro de 2026, a COP30, a principal conferência climática da ONU, será sediada em um resort de golfe de Trump em Miami.

A Força Cubano-Americana no Governo

Para além de cenário de tratativas, o sul da Flórida tornou-se um viveiro de quadros para a administração Trump. A figura mais emblemática é o secretário de Estado, Marco Rubio, filho de imigrantes cubanos nascido em Miami. Sob sua influência, cubano-americanos foram nomeados para embaixadas importantes, como as da Espanha, Argentina e Panamá.

A queda de Maduro foi sentida intensamente na região, fruto de anos de trabalho de Rubio e aliados que pressionaram por uma postura firme contra o chavismo. O senador pela Flórida, Rick Scott, chegou a afirmar que "a única razão pela qual isso aconteceu é porque muita gente em Miami se importa".

Influência Direta nas Decisões sobre a Venezuela

De acordo com o The New York Times, a influência do sul da Flórida foi crucial em 2025. O secretário Rubio e os deputados cubano-americanos Mario Diaz-Balart, Carlos A. Giménez e María Elvira Salazar convenceram Trump a endurecer o tom com o regime venezuelano.

Esta mudança ocorreu após uma tentativa de negociação de um enviado especial dos EUA com representantes de Maduro – ação criticada por Rubio e seus aliados. O grupo argumentou que uma reaproximação com Caracas faria com que os parlamentares cubano-americanos retirassem o apoio ao projeto de lei One Big Beautiful Bill Act no Congresso, devido ao trauma intergeracional do exílio forçado de Cuba. A estratégia funcionou: Trump suspendeu o possível acordo e, em julho de 2025, o grande projeto de lei foi aprovado.

A expectativa agora é que a postura bem-sucedida na Venezuela encoraje o governo Trump a adotar uma linha ainda mais agressiva contra Cuba, mantida sob embargo americano desde os anos 1950. O sul da Flórida, portanto, não é apenas um endereço de luxo, mas uma verdadeira central de poder com capacidade de alterar os rumos da política internacional.