General da guarda de honra de Maduro é demitido após captura por EUA
General da guarda de Maduro é demitido após captura

A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, realizou nesta quarta-feira, 7 de janeiro de 2026, a primeira grande mudança no círculo íntimo do governo após a captura de Nicolás Maduro. O general Javier Marcano Tábata, comandante da guarda de honra presidencial, foi demitido do cargo por não ter conseguido proteger o chefe de Estado durante a operação militar conduzida pelos Estados Unidos na madrugada de sábado, dia 3 de janeiro.

Reforma no núcleo de poder sob pressão internacional

A demissão do militar sinaliza o início de uma reestruturação promovida por Delcy Rodríguez, que assumiu interinamente a presidência na última segunda-feira, 5 de janeiro. A movimentação ocorre em um contexto de forte pressão externa. O presidente norte-americano, Donald Trump, teria ameaçado a agora presidente interina com um "destino pior que Maduro", caso ela não atendesse às exigências dos Estados Unidos.

De acordo com informações da BBC, Javier Marcano Tábata teria assumido a responsabilidade pela captura de Maduro, uma vez que era o comandante direto da força responsável pela segurança pessoal do presidente. A guarda de honra presidencial venezuelana é a unidade militar encarregada de fornecer os guarda-costas que protegem o chefe de Estado.

Posse e declarações da nova líder interina

Delcy Rodríguez foi empossada perante a Assembleia Nacional na segunda-feira. Em seu discurso, a vice-presidente que agora assume o cargo máximo manifestou pesar. "É com pesar que aqui estou, pelo rapto de dois heróis que estão reféns nos Estados Unidos", declarou, referindo-se a Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores. Ela completou: "Tenho também a honra de prestar juramento em nome de todos os venezuelanos".

Considerada uma mulher de confiança de Nicolás Maduro e com ligações ao patronato, Delcy Eloína Rodríguez Gómez, de 56 anos, era vice-presidente desde 2018. Nomeada pelo Supremo Tribunal no sábado, após a captura de Maduro, ela se tornou a primeira mulher na história da Venezuela a liderar o executivo. Analistas a veem como um rosto pragmático para uma eventual transição diante de Washington.

Andamento do caso Maduro e plano dos EUA

Enquanto isso, Nicolás Maduro já compareceu perante a justiça norte-americana. Na segunda-feira, durante sua primeira aparição em um tribunal de Nova York, o ex-presidente venezuelano declarou-se inocente. "Sou inocente. Não sou culpado de nada do que foi aqui mencionado", afirmou Maduro quando questionado pelo juiz. A audiência ocorreu dois dias após sua detenção em Caracas durante a operação de forças especiais dos EUA, cujos detalhes ainda são contestados pelo governo venezuelano. A próxima sessão judicial está marcada para 17 de março.

Paralelamente, os Estados Unidos anunciaram um plano em três fases para a Venezuela no pós-captura de Maduro. A estratégia, apresentada pelo senador Marco Rubio, prevê:

  • Uma fase inicial de estabilização econômica.
  • Uma etapa de recuperação com abertura ao mercado internacional.
  • Uma transição política, ainda sem detalhes concretos sobre eleições ou cronograma de transferência de poder.

A demissão do general Marcano Tábata é, portanto, o primeiro movimento visível de uma administração interina que busca se equilibrar entre a lealdade ao antigo regime e a necessidade de dialogar com uma comunidade internacional liderada por uma potência que demonstrou sua capacidade de ação direta.