A fronteira terrestre entre o Brasil e a Venezuela foi fechada do lado venezuelano na manhã deste sábado, 3 de janeiro de 2026. O bloqueio ocorre após ataques militares dos Estados Unidos que resultaram na captura do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, e de sua esposa, Cilia Flores.
Fechamento e situação na fronteira
A extensa fronteira, que tem mais de 2.000 quilômetros, foi bloqueada com a presença de militares venezuelanos. Em Pacaraima, cidade de Roraima que é principal ponto de passagem, imagens circularam nas redes sociais mostrando cones e efetivos impedindo o acesso.
O diretor da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, confirmou ao SBT que o fechamento partiu do lado venezuelano. Ele afirmou que, a princípio, "todos estão em segurança" do lado brasileiro.
O Ministério da Justiça já se declarou em estado de alerta e se prepara para um possível aumento no fluxo de refugiados venezuelanos para o Brasil, sobretudo na região Norte. Dados do Observatório das Migrações Internacionais (OBMigra) já mostravam um crescimento no número de entradas após as primeiras operações americanas na região, em setembro do ano passado.
Condenação do Brasil e incerteza na Venezuela
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva emitiu uma nota oficial condenando veementemente a ação dos Estados Unidos. Lula classificou os ataques como uma "afronta gravíssima à soberania da Venezuela" e disse que os atos "ultrapassam uma linha inaceitável".
Em seu comunicado, o presidente brasileiro alertou que tais ações representam "um precedente extremamente perigoso para toda a comunidade internacional" e ecoam os piores momentos de interferência na América Latina. Lula defendeu que a Organização das Nações Unidas (ONU) responda de forma vigorosa e reafirmou a disposição do Brasil para promover o diálogo.
Do lado venezuelano, a vice-presidente Delcy Rodríguez afirmou que o governo em Caracas não sabe o paradeiro de Maduro e de sua esposa. Em pronunciamento na rede pública VTV, ela exigiu "prova de vida imediata" por parte do governo dos EUA.
Ação militar e justificativas dos Estados Unidos
O presidente americano, Donald Trump, anunciou em sua rede social, Truth Social, que os Estados Unidos realizaram com sucesso "um ataque em larga escala contra a Venezuela". Ele declarou que Maduro e sua esposa foram "capturados e retirados do país por via aérea".
Trump marcou uma coletiva de imprensa para as 11h (horário local) em Mar-a-Lago para dar mais detalhes. Em entrevista ao The New York Times, ele chamou a operação de "brilhante" e elogiou o planejamento e as tropas envolvidas.
A justificativa oficial dos EUA para a escalada militar se baseia na acusação de que Maduro lidera o Cartel de los Soles, designado como organização terrorista estrangeira em novembro. Os americanos oferecem uma recompensa de US$ 50 milhões por informações que levem à sua captura.
No entanto, dados das Nações Unidas contradizem o discurso de combate às drogas. O Relatório Mundial sobre Drogas de 2025 indica que o fentanil, principal responsável por overdoses nos EUA, tem origem no México, não na Venezuela. A cocaína consumida nos Estados Unidos vem majoritariamente da Colômbia, Bolívia e Peru.
Impactos e reações internacionais
A ação militar gerou mobilização significativa de tropas americanas na região. Além de um porta-aviões, os EUA enviaram para o Caribe destróieres com mísseis guiados, caças F-35, um submarino nuclear e cerca de 6.500 soldados.
A comunidade internacional se mostra dividida. Enquanto Trump argumenta que os EUA já estão em guerra com grupos narcoterroristas, juristas e legisladores democratas denunciam as ações como violações do direito internacional e "execuções extrajudiciais".
Uma pesquisa Reuters/Ipsos revelou que apenas 29% dos americanos apoiam o uso das Forças Armadas para matar suspeitos de narcotráfico sem processo judicial. O apoio é maior entre republicanos (58%), mas 27% deles se opõem à prática. Entre os democratas, cerca de 75% são contra.
O fechamento da fronteira e a instabilidade política na Venezuela colocam o Brasil, especialmente o estado de Roraima, em uma situação de alerta, com expectativa de impactos humanitários e sociais diretos nas próximas horas e dias.