Caracas enfrenta filas em postos de gasolina após captura de Maduro
Filas em postos de gasolina abalam Caracas após crise

Uma nova onda de apreensão tomou conta dos moradores de Caracas nos primeiros dias de 2026. Após a captura do presidente Nicolás Maduro, o medo de desabastecimento fez com que longas filas se formassem em postos de gasolina por diferentes regiões da capital venezuelana. A cena, que antes se concentrava em supermercados e farmácias, agora se repete nos combustíveis, refletindo a tensão política e a insegurança da população.

Estratégias para encher o tanque em meio ao caos

Motoristas adotam táticas diversas para garantir o abastecimento. Matilde Salazar, de cerca de 40 anos, relatou que conseguiu combustível rapidamente porque o posto aceitava apenas pagamento em dólares em espécie. Ela tomou a decisão após percorrer outras estações, onde encontrou filas maiores ou unidades fechadas. "Preferi gastar alguns dólares para sair com o tanque cheio", afirmou, enquanto aguardava com a filha em um posto no sul da cidade.

Já Rafael González optou por uma abordagem diferente. Ele esperou mais de uma hora na primeira estação aberta que encontrou, sem buscar alternativas. "Meu carro ainda tinha meio tanque, mas como não se sabe o que pode acontecer, preferi completar", explicou. No seu caso, o pagamento foi realizado em bolívares, a moeda oficial, através de cartão bancário, demonstrando a variedade de situações enfrentadas pelos consumidores.

Raízes de um problema crônico

O cenário atual é agravado por uma crise estrutural de longa data. Apesar de a Venezuela deter as maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo e contar com refinarias importantes, o país sofre há anos com falhas recorrentes no fornecimento de combustíveis. Analistas consultados por jornais como El Nacional e El Universal apontam uma combinação de fatores para o problema:

  • Infraestrutura deteriorada e falta de investimentos.
  • Dificuldades operacionais da estatal PDVSA.
  • O impacto contínuo das sanções internacionais.

De acordo com o Observatório Venezuelano de Conflitualidade Social, momentos de instabilidade política costumam desencadear corridas preventivas a serviços essenciais, como combustíveis e alimentos. Economistas locais reforçam que, mesmo sem anúncios oficiais de racionamento, a memória recente de escassez leva a população a agir de forma defensiva.

Incerteza política e respostas da população

Enquanto o governo venezuelano afirma que o fornecimento está garantido, os moradores de Caracas seguem adotando estratégias de precaução. Para muitos, encher o tanque do carro tornou-se mais do que uma necessidade imediata de locomoção. A ação funciona como uma resposta direta a um cenário de incerteza política e à fragilidade estrutural do sistema de abastecimento do país.

A movimentação intensa nos postos, observada desde o início de janeiro, ilustra como eventos políticos de grande impacto podem desestabilizar rapidamente a rotina e acentuar vulnerabilidades preexistentes. A situação coloca em evidência o profundo abismo entre a riqueza potencial em recursos naturais do país e a realidade cotidiana de sua população, que continua a lidar com a instabilidade em múltiplas frentes.