Secretário de Estado dos EUA nega que Europa seja 'vassalo' americano em visita à Eslováquia e Hungria
EUA negam que Europa seja 'vassalo' em visita à Eslováquia e Hungria

Secretário de Estado americano rejeita ideia de Europa como 'vassalo' durante visita a aliados europeus

O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, afirmou categoricamente neste domingo, 15 de fevereiro de 2026, que seu país não busca transformar a Europa em um "vassalo" americano. As declarações foram feitas durante uma visita diplomática à Eslováquia e Hungria, duas nações europeias com fortes laços com o presidente americano Donald Trump.

Discurso em Munique gera tensão antes de visita

Durante a Conferência de Segurança realizada em Munique no sábado anterior, Rubio havia instado os europeus a se alinharem com a visão do presidente Trump sobre a ordem mundial, defendendo simultaneamente uma "aliança revitalizada" com uma Europa "forte". Essas declarações geraram preocupação entre os líderes europeus, levando o secretário de Estado a buscar acalmar os ânimos durante sua visita subsequente.

"Não estamos pedindo que a Europa seja um vassalo dos Estados Unidos", declarou Rubio em Bratislava. "Queremos ser seu parceiro. Queremos trabalhar com a Europa. Queremos trabalhar com nossos aliados", enfatizou o diplomata americano.

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Críticas da União Europeia e mudança de tom

A chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, criticou publicamente as declarações americanas que desabonam o bloco europeu, mas elogiou a mudança de tom demonstrada por Rubio em Munique antes do encerramento da conferência.

"Toda vez que ouço a região ser desabonada, algo que está muito na moda agora, penso em tudo o que a Europa nos deu", afirmou Kallas. "Ao contrário do que alguns dizem, a Europa não é decadente nem 'woke', nem sua civilização está ameaçada", declarou a diplomata europeia, em clara referência às críticas do presidente Trump sobre imigração em massa.

Encontro com líderes pró-Trump na Eslováquia

Durante sua breve visita de apenas algumas horas à Eslováquia, Rubio encontrou-se com o primeiro-ministro Robert Fico, que compartilha a mesma ideologia nacionalista do presidente americano. O encontro focou em vários temas cruciais:

  • A situação na Ucrânia, país que faz fronteira com a Eslováquia
  • Questões energéticas, particularmente energia nuclear
  • O futuro das relações entre Estados Unidos e Europa

Fico elogiou a "abordagem" de Trump para o conflito ucraniano, embora tenha expressado ceticismo sobre uma resolução rápida. Rubio, por sua vez, enfatizou que "o papel dos Estados Unidos é tentar facilitar o fim de uma guerra muito mortal, muito sangrenta, extremamente custosa e que implica em um sofrimento horrível".

Próxima paragem: Hungria e encontro com Orban

Após a Eslováquia, o secretário de Estado americano viajou para Budapeste, onde planejava encontrar-se com o primeiro-ministro Viktor Orban na segunda-feira. Trump não esconde seu apoio ao líder nacionalista húngaro, a quem chama de "homem forte e poderoso", às vésperas das eleições parlamentares marcadas para 12 de abril.

Orban enfrenta seu maior desafio eleitoral desde que retornou ao poder em 2010, com seu partido Fidesz atrás do opositor Tisza nas pesquisas. O primeiro-ministro húngaro também declarou sua intenção de viajar a Washington na próxima semana para participar da reunião inaugural do chamado "Conselho da Paz", promovido por Trump.

Diplomacia energética e dependência russa

Tanto a Eslováquia quanto a Hungria são países da Europa Central sem litoral que mantêm laços estreitos com a Rússia e permanecem dependentes de combustíveis fósseis russos, apesar das sanções decorrentes da invasão da Ucrânia em 2022. Durante a visita de Orban à Casa Branca no ano anterior, a Hungria recebeu uma isenção das sanções americanas às importações de petróleo e gás russos.

Os dois países europeus estão em uma disputa de poder com a União Europeia sobre sua política de eliminação gradual das importações de gás russo, uma oportunidade que os Estados Unidos esperam explorar para fortalecer os laços com esses aliados regionais.

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Contraste com administração anterior

O antecessor de Trump, o democrata Joe Biden, manteve uma relação muito mais tensa com Orban, a quem acusou de "caminhar rumo à ditadura", particularmente por silenciar a mídia independente e fazer campanha contra os direitos LGBTQ+. Essa diferença de abordagem destaca a mudança significativa na política externa americana sob a atual administração.

A visita de Rubio ocorre em um contexto de tensões crescentes sobre a dependência energética europeia da Rússia e a influência eleitoral de Trump na política do continente, com o secretário de Estado buscando equilibrar retórica assertiva com gestos de parceria.